segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Ricardo II (William Shakespeare)

Ato II

Cena II

(O mesmo. Um quarto no Palácio. Entram a Rainha, Bushy e Bagot.)

Bushy – Senhora, Vossa Majestade se acha muito triste. Lembrai-vos da promessa, quando vos despedistes do monarca, de vos desvencilhar do abatimento prejudicial e de assumir alegre disposição.

Rainha – É certo; mas só o disse para agradar ao rei, que, por mim mesma não me fora possível. No entretanto, não sei qual o motivo por que deva, como hóspede, acolher o pesadume, senão por ter-me despedido de hóspede tão suave como meu doce Ricardo. Às vezes me parece ver chegar-se-me a tristeza inexplicável, sazonada no ventre da fortuna; por coisinhas minha alma se apavora, revelando maior sofrer do que o que lhe viria da despedida do meu rei e marido.

Bushy – A essência da tristeza emite vinte sombras que com a tristeza se parecem, sem que o sejam, contudo, porque os olhos do desgosto, cegados pelas lágrimas, dividem cada corpo em mil objetos. Como se dá com quadros que, mirados de frente, não revelam coisa alguma, mas permitem, de viés, ver a pintura: do mesmo modo Vossa Majestade, considerando de viés a ausência de vosso esposo, vê formas de agruras mais para lastimar do que ele próprio, as quais, vistas de frente, se revelam como sombras, tão-só, de coisa alguma. Não choreis, pois, graciosa soberana, mais do que a ausência dele, que só vedes isso, tão-só. Mas se outras coisas virdes, por acaso, é certeza estardes vendo pelos olhos da dor que, de ordinário, chora apenas o fato imaginário.

Rainha – É possível, embora me convença do contrário o imo peito. Esteja tudo como devera estar, deixar não posso de revelar-me triste e, de tal modo, que, se em nada eu pensar, o pensamento desse nada me tira, quase, o alento.

Bushy – Pura imaginação, graciosa dama.

Rainha – Não; a imaginação sempre é gerada por tristeza anterior. Mas no meu caso tal não se dá. Ou nada foi a causa da angústia que me oprime, ou alguma coisa gerou o nada que me deixou triste. Minha dor me pertence de direito. O que ela seja, ninguém sabe ainda; é dor sem nome, creio, não finda.

domingo, 30 de outubro de 2011

acabou
feneceu
...
calou-se
E o domingo se arrasta, me arrasta.
E o domingo é prenúncio, presente.

O que tem não é o que terá.
O que é não é o que será.

E o domingo me envolve, me move.

domingo, 23 de outubro de 2011

Há um certo charme no silêncio repousado na boca de um homem.
Ontem tive uma experiência maravilhosa. Vocês não vão acreditar porque ela beira o inacreditável e, curiosamente, diz respeito a exatamente isso: a crença. Eu conheci outro planeta. Podem rir. Eu esperava. Mas foi verdade. Ele se chama Tópus e fica não muito distante da Terra. Geograficamente parece muito com nosso planete: tem mares, oceanos, continentes, países e habitantes, os topunianos. A fisionomia dos topunianos não é aquela estereotipada dos extraterrestres. Eles são, fisicamente, muito parecidos conosco, mas muito diferentes em outros aspectos. Não são tão admirados como nós. Me receberam muito bem, sem espantos. Sabem que existem outros planetas e que, portanto, é possível tal acontecimento. São muito curiosos em relação ao novo, nós no caso. Quiseram saber de tudo: nossos costumes, hábitos, culturas, tudo. Relatei muitas coisas e eles achavam algumas coisas banais muito engraçadas, curiosas. Outras eles achavam muito normal. Ficaram abismados com o fato de, em algumas de nossas culturas, as pessoas já nasceram predestinadas a algo como, por exemplo, casarem-se com alguém previamente escolhido. Riram de mim. Acharam que eu estava brincando. Não acreditaram. Terei que levar alguém daqui para lá para que confirmem minha história. A propósito, estou com um tuponiano em minha casa e quero que ele conte a quem quiser ouvir algo que eu achei absurdo e mentiroso: há alguns seres que nascem para o amor. Pelo menos é o que se conta em Tópus. Eu duvido.
Lutar com palavras
parece sem fruto.
Não têm carne e sangue…
Entretanto, luto.

Carlos Drummond de Andrade

sábado, 22 de outubro de 2011

"Todo mundo tem uma história triste pra contar", ouvira o íntimo desconhecido dizer. Parou. Pensou. Buscou na memória uma história triste. Não. Não tinha. Ainda tinha perto de si os seus, era feliz, realizado, fazia o que gostava, se mantinha com isso. Anestesiou-se. Vivera, a partir dali, esperando dias piores.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Quando a gente gosta, cuida

Dia 8 de março de 2007 iniciamos com Silêda Franklin uma gestão no Theatro José de Alencar (TJA). Olhamos a Praça José de Alencar como se fosse a primeira vez. De-so-la-dor. Ouvi Silêda: “Pior do que está não fica”. Em silêncio, memória acionada do que vivi na região desde menina, lembrei do que digo que aprendi com a literatura, mas é do tutano do existir: sempre pode piorar.

O que vivemos hoje no Centro é regurgitação do que engolimos na cidade toda. Fortaleza lembra uma música de Caetano: parece construção e já é ruína. Digo com dor, escrevo com dó. De nós mesmos, sobretudo (é horrível sentir pena de si). Somos uma cidade que destruiu as calçadas. Como vislumbrar horizonte quando se perdeu o chão? Para onde quer ir uma cidade que sequer pode andar? Que cidade é essa cuja população transita, parece que sem estranhamento, como uma horda miserável de predadores de si, a topar um acordo mútuo de desmonte da vida em comum, a produzir e viver em meio ao lixo nas ruas, nas praias, nas praças, sem saber mais se indignar? Se não temos chão, não dá para caminhar mirando o que há de vir ou apreciando a paisagem. Só se olha para baixo. A visão encurta, o corpo desaprende a fruição do espaço, a ver o outro. Viver é só uma tentativa de escapar. Qualquer movimento é travessia sob ameaça. Não à toa, cruzamos os dias tomados pela sensação de exaustão.

Vigio-me para não perder a vergonha, o desconforto que sinto ao andar na cidade. Sim, alerta contra a banalização do padrão atual do nosso cenário, mais e mais tornado norma, amputando-me de experiências simples de vida urbana que me foram tão corriqueiras.

Não lamento supostas perdas em relação ao passado. Assusta-me a precariedade do presente e a destruição de futuros. Sei da fúria dos nossos modos de existir, posso senti-la com tanta argúcia quanto cada gesto de delicadeza, miúdo que seja. Corrijo: gentileza nunca é pequena. É imensidão. Talvez tenhamos desaprendido o exercício de ser grande, de estar à altura da vida.

Que lugar potente o Centro de Fortaleza! Pode nos dizer sobre como vivemos (n)a cidade. Vamos cuidar do Centro, da cidade. É cuidar de si: quando a gente gosta, cuida. Por isso escrevo. Por isso iniciamos junto com a gestão do TJA uma série de encontros com equipes de instituições culturais da área, batizados de Viva o Centro! Um desejo manifesto de vida. Só isso. Sim, escrevo fragmentos de um discurso amoroso sobre o lugar onde vivo.

Compreendo a região como a que mais explicita Fortaleza. Perceba: são fragmentos tocados pelo desespero. Cansei do desespero mudo mesmo sabendo o quão eloquente pode ser o silêncio. Sei que uma outra experiência de cidade é possível e ela não pode descartar o Centro ou transformá-lo em aterro sanitário das nossas relações sociais. Está à flor da pele nossa patologia da vida em comum. Você não acha que abrir mão de uma região que tem o Passeio Público, o TJA, o Instituto Histórico do Ceará, vista para o mar ao final de cada rua no alto da colina que deixamos de ver, diz de uma certa esquizofrenia, algo partido? Mas a vida não cessa de brotar. É como a poesia. Tão necessária em tempos de penúria quanto na abundância. Sabe que o ipê da Praça José de Alencar ainda floresce em meio à aridez da terra devastada?

Izabel Gurgel

Jornalista e diretora do Theatro José de Alencar (TJA)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Eu queria guardar o verde do mar pra te mostrar um dia. Quando nos encontrarmos. Você ainda não o conhece e ele foge muito rápido de quem não tem traquejo em lidar com ele. Não se preocupe. Eu sei muito bem fazê-lo e você terá tempo suficiente para conhecê-lo bem. Esse tempo é o da contemplação. O mesmo que necessitarei quando olhar para você.
-Se dos meus dedos saíssem água?
-Sim. Das pontas.
-Molharia tudo.
-Não... Não é jorrar água como uma mangueira. É sair água, simplesmente, pouca água.
-Não sei... Acho que as tuas sobrancelhas estariam sempre lambidas, arrumadinhas, porque gosto de tocá-las, alisá-las. Acho que teus olhos estariam sempre frescos, porque gosto de tocar-te as pálpebras. E sei que a minha boca estaria sempre molhada porque roubaria dessa água repousada na tua boca depois de passar-lhes os dedos sobre ela.

sábado, 8 de outubro de 2011

Quero mais dinossauros

Natural de Fortaleza/CE, vim morar em Natal/RN a exatos 1 ano, 8 meses e 18 dias. Vim pra cá para cursar o mestrado em Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Norte e acabei encontrando outros caminhos mais bonitos e satisfatórios. Talvez por pertencer a Fortaleza e lidar com a cidade de uma maneira muito natural não tinha o hábito de observá-la distanciadamente, coisa que faço muito hoje em dia. Com Natal é completamente diferente. Só a observo distanciadamente porque, até hoje, não consegui criar nenhuma relação de pertencimento com a cidade. Acho tudo muito estranho e algumas coisas muito fake e, certamente, o que mais contribui para isso (e o que mais me incomoda também) é o fato da camada da população que compõe a burguesia natalense ser muito mais ostensiva.

Fortaleza e Natal são cidades muito parecidas em proporções muito diferentes. Fortaleza é maior e mais rica que Natal. Em listas de rankings nacionais e mundiais Fortaleza é apontada enquanto Natal nem aparece. Em projeções idem. (Alguns dados: Dados do IBGE, ranking mundial da Wikipédia e um video com uma projeção de 15 anos). Não me orgulho disso. Enquanto Fortaleza aparece em todas essas listas o número de pobres, a miséria e pessoas sem acesso a educação, cultura e saúde aumenta também porque todo esse dinheiro está nas mãos de uma pequena parcela da população. É sobre essa pequena parcela da população que estou falando. Em Fortaleza ela aparece menos, ostenta menos, mostra menos o que tem. Em Natal não. Todos querem mostrar o que tem e seus hábitos se tornam mais bregas e ridículos.

O Teatro Riachuelo em Natal demonstra muito isso. É o primeiro teatro de shopping da cidade e já formou seu próprio público. Não importa pra ver o que. O que importa é ir pro teatro do shopping. Em Fortaleza acontece a mesma coisa com o Teatro do Shopping Via Sul. É pra esses lugares que vão os grandes musicais, as grandes produções, as montagens com estrelas globais, tudo grande, tudo brilhoso, tudo com muito glamour. A questão, mais uma vez, é como se dão as coisas. É como se em Fortaleza as pessoas (essas da pequena camada rica da sociedade) fossem. Em Natal é como se elas fossem e avisassem a todos que estavam indo. Mais uma vez afirmo: não há mérito nenhum em Fortaleza por isso. É ridículo do mesmo jeito.

Morando há mais de um ano aqui, não tinha ido ainda ao Teatro Riachuelo. Ontem fui lá para assistir “Pterodátilos” de Nicky Silver com direção de Felipe Hirsch. No elenco havia Marco Nanini, Mariana Lima, Álamo Facó e Felipe Abib. A peça vem fazendo uma carreira muito prodigiosa e tem uma equipe de artistas sérios, talentosos e competentes. Não há dúvidas de que, por onde quer que passe, lotará plateias. O problema, mais uma vez, é o como. Os comentários no final são sempre da ordem do “ele parece mais novo ao vivo” ou “achei que ele fosse mais gordo” ou ainda “ela é muito mais bonita na televisão”. “Ele” e “ela” se referem a Marco Nanini e Mariana Lima, atores que têm desenvolvido trabalho na televisão brasileira. A obra artística passa despercebido.

A televisão brasileira, especialmente a Rede Globo, maior empresa do ramo no Brasil, criou no imaginário da grande massa da população brasileira através do domínio mercadológico uma certa padronização no modo de fazer e pensar as coisas. Arte e cultura são os mais prejudicados nessa história. Ator no Brasil é ator de novela. Eles sempre começam por baixo e, por isso, fazem teatro no começo. O que interessa mesmo é chegar à televisão. É ela que faz todo mundo te conhecer. É pra isso que eu vou pro teatro ver o Marco Nanini: para reconhecê-lo. É assim que, talvez até inconscientemente, pensa a maior parte da população. A burguesia certamente. Sim, ela está intimamente ligada ao aparente.

Acontece que ontem eu acho que foi um pouco diferente. Como já citei, os profissionais envolvidos são figuras que tem um compromisso sério com a arte, com a cultura e com o teatro. O diretor Felipe Hirsch desenvolve um trabalho sério com a Sutil Companhia de Teatro e já trabalhou com nomes como Paulo Autran e Fernanda Montenegro (só!), Marco Nanini é um dos mais fantásticos atores da cena (teatral, cinematográfica e televisiva) brasileira e tem um histórico maravilhoso. Mariana Lima é uma atriz deslumbrante e nesta peça sua atuação é incrível, precisa, forte, coerente, criativa. Álamo Facó e Felipe Abib despontam no cenário nacional com participações em importantes e bem sucedidas produções. Sem falar na equipe técnica que tem, entre outros, o nome de Daniela Thomas. Baita equipe, hein? Eles não dariam vexame. Certamente não deixariam as coisas como estão.

O texto de “Pterodátilos” é ácido, forte e permeado de um humor sarcástico e negro. Pra mim, não podia ser melhor. A sinopse do espetáculo retirada do site diz o seguinte: “O espetáculo é uma comédia negra absurda sobre a extinção de uma família, e por extensão, da espécie. Através dos arquétipos da família, Nicky Silver mostra os limites onde o ser humano consegue chegar, sua decadência cultural e espiritual. Ele denuncia a degradação humana com muito humor. Assim, mexe de maneira audaciosa com basicamente as disfunções familiares e com as convenções sociais, traçando um retrato das anomalias contemporâneas.” É... parece que não há coisa melhor para um público daqueles (o público do Teatro Riachuelo não é o público de teatro daqui, como havia dito) olhar e se reconhecer.

No início parecia que tudo contribuía para a ode ao glamour televisivo brasileiro e isso me preocupou e entristeceu muito. A projeção de promoção do espetáculo trazia o nome do patrocinador com a palavra “apresenta” abaixo e logo imaginei que viria o nome do espetáculo. Mas não. Veio o nome de Marco Nanini. Em seguida o nome do espetáculo e depois dos atores. Sim, afinal, é ele quem é conhecido, vende, traz público, etc. Quem quer assistir o espetáculo mesmo? Ninguém. Quero ver o Lineu* da televisão! E isso se confirmou. A peça começou, Marco Nanini entrou naturalmente falando seu texto e deu uma pequena pausa para os aplausos da plateia. Não vou negar que achei engraçado e ri. Enfim, o código estava estabelecido e agora era aguentar.

Muitos risos pelos absurdos que se dizia, pela maneira que se dizia e isso ia me incomodando cada vez mais. Não pelo riso, mas pela falta de reflexão acerca dele. Veja bem, não quero também ser aquele chato panfletário que afirma que tudo tem que ter um pensamento reflexivo e crítico em sua volta. O povo também tem direito à pura e simples diversão para aliviar da semana intensa no escritório imaginando como ganhar mais dinheiro ou da estressante tarefa de organizar uma festa para quinhentos convidados, pensar na decoração, no cardápio, etc. Também sou adepto da diversão pela diversão. A gente precisa disso de vez em quando. Mas a questão era outra. Maior. Mais profunda. E sobre isso eu já falei. Não me entendam mal. Coisas sintomáticas iam acontecendo. Uma mocinha muito arrumadinha acompanhada de duas amigas e duas senhoras, todas também muito arrumadinhas (arrumadinhas aqui não se refere à aparência), estavam com o sorriso estampado na cara desde a entrada de Nanini no palco. Olhavam para ele como os pais que admiram seu filho pequeno fazendo gracejos. Era intrigante. Foi ficando assustador.

O texto trazia coisas absurdas. Coisas engraçadas também. A encenação grifava tudo isso de forma inteligentemente cênica. Uma família se acaba diante de nós. A casa foi erguida sob um cemitério. Quem serão os próximos mortos? Quem já está morto? A mãe não sabe o nome da filha e isso é engraçado. O filho tem AIDS e isso é engraçado. O pai finge que não vê nada e isso é engraçado. Mas o riso vai se tornando constrangedor e chocante: “Nossa, estou rindo disso?” O espetáculo começa a acontecer, pra mim, aqui. A peça continua e, de repente, uma frase dita pela mãe, não me lembro qual, me fez esperar a gargalhada. Ela não veio. Acho que o público estava meio “chocado”. Sim, vou colocar entre aspas porque eles não tiveram tempo nem lucidez para identificar se estavam chocados e/ou por que. Em uma sociedade como a burguesia natalense (em qualquer outra também, mas já que estamos falando dela) essa família e/ou alguns arquétipos dela, são impressionantemente comum. Não são reconhecidos e apontados, claro, porque eles não aparecem. As aparências não deixam. Elas estão aí até mesmo para eles próprios que não estranham porque é natural, é intrínseco, tudo foi formado assim.

Mas houve algo. Certamente.

As gargalhadas foram diminuindo aos poucos. Mais algum tempo de peça e... acabou. O sussurro do casal de trás levantou-se: “Acabou?”. As cabeças estavam embaralhadas embora nem soubessem que estavam. Algo se mexeu. Em algo mexeu-se. Black-out. Os aplausos começam a aparecer lenta e timidamente até ganharem força quando a luz acende. “É. Acabou mesmo.” A plateia aplaude sentada. Era genial ver aquela cena. Nada condizia com o comportamento do início do espetáculo. Quando Marco Nanini entra, aí sim, todos se levantam, sorriem e aplaudem. Voltam à “realidade” a que se sujeitaram a viver. Alguma coisa aconteceu e isso é fabuloso. Talvez isso nem tenha muito efeito. Quando aparecerá outro dinossauro desses? O que importa é que tem gente fazendo sua (p)arte.

Genial!!!

O espetáculo é genial!

O acontecimento mais ainda!

O teatro ainda pode mover e mudar coisas!

Évoé!

*personagem interpretado por Marco Nanini no seriado televisivo de grande audiência da Rede Globo “A Grande Família”.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

o vento sopra
sempre
sopra
sem permissão
mas sopra
mexe nos teus cabelos
te desajeitando
te imprimindo caos
te desorganizando
te trazendo mais próximo
do humano
do normal
quem permitiu?
quem deu ordens
de acentuar tua beleza?
teus cabelos ao vento
sopram meus ventos
soltam fios
me prendem
neles
à ti
sempre
sopram
Valha como tu gosta de invenção! Deixa de ser ridícula, Vida! Ô bixa caricata...
Sem paciência. Não suporto academia*. E lembrem-se que a impaciência também teu seus direitos!
*Escolha a sua definição.
Não, eu não sou feliz. Eu sou eufórico.
É forte.
Sempre há uma tristezinha.
Uma melancolia.
E é daí que sai beleza.
Poesia.
Que o diga o samba.
Sempre falta alguma coisa.
Sempre vai faltar.
Sim, eu sou piegas.

sábado, 1 de outubro de 2011

Você ainda não apareceu.
Assim o tempo passa muito e
acaba o amor.
Você está me matando.
Você está me destruindo.
Estou me acabando, me desgastando
em projeções do que você pode ser,
do que você é, da sua existência.
Vem.
Logo.
Não escuta a vida.
Ela vive dizendo
pra você,
eu sei,
que não estou preparado ainda.
Mentira dela.
Não dê ouvidos a ela.
Me escuta.
Eu sei de mim.
Eu sei de nós.
Vem.
Logo.
Assim o tempo passa muito,
acaba o amor.
Você está me matando.
Você está me destruindo.
Estou me acabando, me desgastando.