terça-feira, 25 de setembro de 2012

É sempre muito gostoso e instigante ver o que o olhar de Eliana Brum faz sobre uma situação. É como se a câmera do filme desse um giro de 180°.


"O mais importante não é atacar Celso Russomanno, mas compreender o que ele revela do Brasil atual. O fenômeno Russomanno pode ter algo a nos ensinar. Quem sabe sua liderança nas pesquisas eleitorais possa mostrar aos futuros candidatos que ética e coerência na política valem a pena se quiserem se tornar alternativas reais para uma parcela do eleitorado. Ou que se nivelar por baixo em nome dos fins pode ser um tiro no pé – tanto quanto se aliar com qualquer um. E talvez o fenômeno Russomanno possa ensinar aos futuros governantes que um povo se define pela qualidade do seu desejo. E desejo só se qualifica com educação."

"Sempre se pode lamentar que o eleitor deseje o que deseja, mas o eleitor – em geral subestimado – sabe o que quer. Se a maioria acredita que tudo o que dá sentido a uma vida humana pode ser comprado num shopping, então São Paulo – e o Brasil – merecem Celso Russomanno."

Tudo:
Tive a oportunidade de assistir a uma palestra da pesquisadora cubana radicada no México Ileana Diéguez em um dos encontros do Próximo Ato (Itaú Cultural) e nunca esqueci seu olhar lúcido, coerente e esclarecedor sobre o teatro latino-americano.

Segue uma pequena entrevista com ela. Maravilhosa. Destaco:


"A investigação de linguagem tem a ver com as perguntas dos criadores sobre como falar, habitar e dar vida a situações que não sejam ilustração da realidade imediata, mas também tenham a ver com a busca ou o reconhecimento de outro tipo de espectador, como o faz La Candelaria desde os anos 70. A realidade também desafia a criação, e há que se estar com o olhar atento para não perder a possibilidade do real também nos transformar – e não somente como se tem dito tantas vezes, que a arte que transforma o real." 

"(...) não desejo pensar o teatro latino-americano como uma sequela de influências europeias ou de paradigmas, venham de onde vierem. Se algo tem me interessado faz várias décadas é reconhecer que, de maneira geral – ainda que não seja algo que possa aplicar-se a todos os países – a cena que se faz neste continente tem o pulso da vida, que seus criadores não são heróis que recitam textos grandiloquentes, e sim, seres humanos frágeis e capazes de por em cena suas próprias dores e medos, seus próprios egos, inclusive. Se algo se destaca da cena latino-americana, pelo menos a que eu conheço e por qual tem sentido pensá-la, está em diálogo com seu tempo e que por ela podemos entender quem somos e como temos vivido."

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

-Tava olhando aqui: 7 de setembro cai numa sexta-feira esse ano. A gente podia fazer uma viagenzinha.
-Tipo o que?
-Tipo um lugar com clima gostoso... Guaramiranga talvez.
-Guaramiranga? Outro estado.
-Aqui do lado. Por isso que falei "viagenzinha".
-Por mais que seja viagenzinha já teria que reservar hotel, etc.
-Ué! Reservamos.
-Ainda faltam mais de quatro meses. E se acontecer algum problema pra resolver e a gente já tiver reservado tudo?
-A gente diz pro problema que resolve ele assim que voltar já que combinamos com a viagem antes.
-(...) Vou fazer as reservas.

domingo, 16 de setembro de 2012

Demorei exatos 57 segundos para apagar algumas anotações que tinha feito nas páginas de um livro.
Não tenho ideia de quanto tempo precisei para fazê-las.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012


“De minha parte, não concebo como o poeta pode começar uma cena, se não imaginar a ação e o movimento do personagem que introduz; e se o andar e o rosto dele não lhe estiverem presentes. É este o simulacro que inspira a primeira palavra, e a primeira palavra proporciona o restante.” 

Denis Diderot