quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Realizada a Assembéia
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Sintoma
Às vezes eu tenho vontade de sair dançando.
Qualquer coisa.
Emendar num samba depois.
Às vezes tenho vontade de ficar parado também,
olhando pra mim e pros outros,
pra uma pessoa só.
Sempre.
Agora.
Às vezes eu tenho vontade de perder o ar, o fôlego,
de encher um balão branco e soltar,
deixar voar, perder de vista.
A ele, ao balão, e a mim também.
Tenho vontade de me perder de vista,
de ser humano.
Às vezes também tenho vontade de sair vivendo tudo,
de curtir.
Também tenho vontade de ficar num quarto.
Trancado.
Me sentir.
Somente a mim.
Somente à minha presença.
Morrer só.
Às vezes tenho vontade de estar junto.
Sempre.
Agora.
Às vezes tenho vontade de cantar.
Qualquer coisa.
Às vezes tenho vontade de cantar.
Bethania, Ângela, Dalva, Núbia.
Às vezes tenho vontade de ser tema.
Na voz delas.
Pode ser.
Na caneta do Benito.
Pode ser também.
Às vezes sou pretensioso sim
Como agora.
Na maioria das vezes só quero viver,
ir vivendo,
experimentando,
sendo,
sentindo.
Às vezes tenho vontade de falar de mim em 3ª pessoa,
às vezes de ser protagonista,
de mentir,
nem sempre de falar a verdade.
Omito.
Sempre.
Agora.
Às vezes tenho vontade de falar,
às vezes de ouvir.
Mas sempre tenho vontade de ver.
Sempre.
Agora.
Às vezes tenho vontade de não controlar as pontas dos meus dedos,
de tentar chegar até você nem que seja assim.
No balanço de tudo, sei que isso tudo é sintoma de
que o objetivo é sempre esse:
Chegar a você.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
O que temer?
Eu devia ter uns oito anos e a casa ainda tinha cheiro de areia e cimento molhado. Há algum tempo as reformas haviam parado, mas esse era o cheiro do local. Fomos nos acomodando como dava e passamos alguns anos nela assim. O corredor que dava acesso aos quartos, no fim, à cozinha, no meio, e à sala no início, era longo. Toda a casa era longa, grande. Quase sempre ela não estava totalmente iluminada, era meio obscura. Não chegava a dar medo porque era a minha casa, mas dependendo do local e da situação ela poderia criar um certo receio, estado de alerta, aceleração do coração, etc. Quando eu e meu irmão ficávamos de castigo, por exemplo, era sempre no fim do corredor, no quase escuro total, em uma poltrona grande, velha e abandonada que ficava lá. Ela havia sido posta lá pra ser jogada fora e foi ficando, como tudo que estava lá foi ficando, inclusive nós. Eu lembro que dava um certo medo sim ir pra lá, acho que mais pelo castigo, por estar isolado do que pelo local. Talvez ele, o local, contribuísse em algo, mas ignorava essa idéia na época. Engraçado, posso concluir que já tive medo de um corredor pouco claro, de ficar nele, numa poltrona no fim dele. Hoje já é mais difícil. Mas também, do que ter medo hoje? O que temer? Como se não bastasse a agonia por me impor uma pergunta sobre mim mesmo (elas sempre me amedrontam), vem uma agonia maior ainda: a resposta conclusiva. Temo ao homem, a mim mesmo, ao passo que é nele a minha maior crença e confiança. Confuso? Ambíguo? Contraditório? Incoerente? Nem tanto já que estamos falando do ser humano e ele é isso tudo ao mesmo tempo. Só temos nós mesmos a temer. Felizes as crianças que temem o que está na cabeça, na fantasia... Felizes! Tristes os homens que temem o que está em si, o que existe. Precisamos... Acho melhor não colocar tudo isso em 3ª pessoa... Talvez seja forte alguém chegar a essas mesmas conclusões através das escrituras de terceiros e de confusão eu já tô cheio... Preciso me guardar de mim mesmo, sou meu próprio mau, enganado pela minha razão, traído pela minha bondade, condenado pelos meus olhos e ouvidos, delatado pelos meus sonhos...
Glória Bonfim
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
O Réveillon da Fortaleza Bela

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Meu lugar
Programe-se: Teatro
domingo, 17 de janeiro de 2010
22º Prêmio Shell de Teatro
"O Realejo" escolhido o espetáculo da década do Teatro Cearense
E ele chega...
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Bicicletada 100 anos TJA
VI Edital das Artes - Teatro
FORTALEZA
PESQUISA TEÓRICA OU DE LINGUAGEM
1º Gyl Giffony Araújo Moura
2º Fernanda Maria Romero Quinderé (O teatro cearense pelas mãos do figurinista e cenógrafo Flávio Phebo)
3º Lunardo Martins de Albuquerque (Hiramisa Serra – 50 anos de teatro: uma vida dedicada aos palcos)
4º Rafael Martins de Oliveira (Quatro Solos)
5º Herelana Dias de Aquino (A reconstrução do jogo ritualístico no teatro contemporâneo Fortaleza)
6º Flávia Cavalcante Tavares (O movimento corporal da Banda Cabaçal dos Irmãos Anicetos)
MANUTENÇÃO DE GRUPOS E COMPANHIAS PERMANENTES
1º Rogério Mesquita Rodrigues (Grupo Bagaceira de Teatro)
2º Francimara Nogueira Teixeira (Teatro Máquina)
3º Associação Teatral Palmas Prod. Artísticas (Palmas Culturais)
4º Grupo Teatro Novo (GTN 45 Encena)
5º Grupo Formosura (25 anos de teatro Formosura)
6º Companhia Pã de Teatro Pesquisa Produção Artística e Cultural (Janelas na Cidade)
7º Monique Cardoso Ferrreira (Aldeias Expressões Humanas)
8º Comunidade em Movimento da Grande Fortaleza (Nóis de Teatro)
9º Nelson Rubens Albuquerque de Oliveira (Pavilhão das artes)
10º Francisco das Chagas Soares Júnior (Teatro Vitrine)
11º Mikaelly Damasceno (Sala 3x4: manter para possibilitar,qualificar e empreender)
12º Centro Cultural Celita (Teatro Social de Juventude: Resistência da Cultura Popular através do reisado e bumba-meu-boi de pedras)
AUXÍLIO A MONTAGEM DE ESPETÁCULOS
1º Ricardo Guilherme Vieira dos Santos (RG 40)
2º Ari Rodrigues de Araújo (Brincadeira de Criança)
3º Ângela Vieira Soares (Mulheres que matam galinhas)
4º Instituto Teatro Público (Orquídeas Vermelhas, Lobos guarás)
5º Wilson Walmick Holanda Campos Filho (Otelo)
6º Fernando Antônio Fontenele Leão (Nossa Cidade)
7º Adriano Bessa Albuquerque (Machos)
8º Jailson de Souza Feitosa (Atar)
9º Projeto Criança Feliz João de Arribação
10º Paulo César Rodrigues Amoreira (Esperando Godot)
CIRCULAÇÃO DE RESIDENCIAS ARTÍSTICA DE GRUPOS OU COMPANHIAS PERMANENTES
1º Grupo Semearte de Teatro de Rua (A outra história de Romeu e Julieta)
INTERIOR
PESQUISA TEÓRICA OU DE LINGUAGEM
1º Francisco Galba Nogueira da Fonseca Filho (O corpo simbólico: O treinamento do ator através da capoeira) - São Gonçalo do Amarante
2º João Paulo Freitas (Teatro Legislativo – Uma descrição metodológica para o exercício da participação democrática) - Maracanaú
MANUTENÇÃO DE GRUPOS E COMPANHIAS PERMANENTES
1º Joélia Maria Braga de Sousa (Dona Zefinha - 20 anos de Teatro de rua) - Itapipoca
2º Márcia Maria de Oliveira Lima (Teatro Romançal) - Russas
3º Davidson Caldas Miná (Cia. Camarim de teatro) - Maranguape
4º Jean Nogueira (O trágico em cena) - Juazeiro do Norte
5º Associação de Pesquisas e Atividades Teatrais (Da Cia do batente aos palcos reluzentes: 10 anos de batente) - Sobral
6º Associação Grupo Ninho de Teatro (Casa Ninho) - Juazeiro do Norte
7º Gabriela Sousa dos Santos (Parque de Teatro – 10 anos de ação cultural e social) -Aquiraz
8º José Gilsimar de Oliveira Gonçalves (Encena: Loucos por Teatro) - Barbalha
AUXÍLIO A MONTAGEM DE ESPETÁCULOS
1º João Batista dos Santos Júnior (Isso é teatro popular) - Icapuí
2º Maria do Carmo Ribeiro Costa (A fábula do Jaraguá no imaginário popular) - Sobral
3º Sociedade Cariri das Artes (A donzela e o cangaceiro) - Crato
4º Márcio Medeiros da Costa (Feio) - Maracanaú
5º Sociedade Cultural Granjense (O Eclipse Itinerante) - Granja
6º Teatro Ateliê de Investigação e práticas alternativas (Linha de ferro: Uma intervenção teatral entre caminhos) - São Gonçalo do Amarante
7º Francisco Paulo Ferreira da Silva
8º Michelle Ferrúcio (Ata Cariri) - Juazeiro do Norte
9º Assoc. Do Assentamento Logradouro Ubiraçú (Filhos do Sertão: contos e pelejas do povo de Canindé) - Canindé
10º Prefeitura Municipal de Palhano (Luz, Câmera e Cidadania) - Palhano
11º Romildo de Queiroz Lima (A mala do folheteiro) - Maracanaú
Este Edital é uma conquista de toda classe. O orçamento está em R$ 1.040.00,00 (Um milhão e quarenta mil reais) graças à luta dos artistas e ao diálogo estabelecido com a Secretaria. Continuemos juntos e com o diálogo para sempre melhorarmos o que temos.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Amanhecendo
Hoje tive duas experiências que não tenho há muito tempo. Acordei muito cedo. Sem incômodos. Bastante satisfeito do sono, mas acordei. São 05h30 da manhã e já deu tempo de ver, sentir e processar todas as coisas que relato aqui. Há muito tempo isso não acontecia comigo e há muito tempo também não sentia as pessoas pela sua simples presença como senti meu pai hoje. Vê-lo acordar, escovar os dentes, andar pela casa, sair, voltar, trazer pra dentro de casa o cheiro da tarde da padaria, entre outras coisas, foi muito bom. Senti-lo. Somente. Lembrou-me muito a atmosfera que envolve os amantes do poema "Casamento" da Adélia Prado. É lindo. Vou à rua, à varanda. Tenho o privilégio de ver de cima a minha rua amanhecendo. Como ela é bonita... Fortaleza é realmente bela. Insuportavelmente bela. Os primeiros raios de sol chegam, a hora mais bonita do dia. Estou em uma posição privilegiada, uma encruzilhada. Vejo mais de uma rua, encontros. Poucos pedestres, alguns ciclistas, nenhum carro. As coisas vão, aos poucos, acontecendo, amanhecendo, acordando, desbravando-se. Um senhor moreno leva num depósito de plástico transparente as tapiocas que comporão para outras pessoas o mesmo cheiro que meu pai trouxe pra casa no início da manhã. Vai... Rangido longe. Os sons também vão desbravando-se. Outra bicicleta. Ritmo monótono e compassado. Rotina. Ela passa por uma senhora baixa e gorda vestindo rosa bebê levando seu guarda-chuva e seu terço. Certamente outra rotina. Elas, as rotinas, também vão desbravando-se. Na encruzilhada ela olha bem uma rua, a outra. Vem alguém? Sou a única? Segue. As luzes dos postes ainda estão acesas. Duas ou três da rua toda. Elas ainda dormem. Não reconheceram que já é dia. Não há sol efetivamente, só os primeiros raios, mas já é dia claro. Mais silêncio, mais ninguém, somente eu. Eles me dão tempo para absorver e realmente observar tudo que passou até aqui. Fortaleza está acordando. Um carro aqui e acolá. Ingenuidade! Não estou só. E o pior: estou sendo observado. Na calçada de uma das outras três esquinas um gato completamente branco de rabo completamente cinza me olha. Também olho pra ele. Ele vai. Não nos oferecemos ameaças um ao outro. Sobe o muro, se sustenta, alinha-se e percorre a linha de tijolos de lá pra cá, observa o quintal da vizinha não como quem vai dar o bote, só observa. De longe um galo canta. Não sabia que alguém aqui tem um galo. As galinhas observadas pelo gato se encorajam com o canto do galo e cacarejam, todas. O gato vai. Sinto as coisas mais claras, mais amarelas, iluminadas. Já há algum sol. As nuvens parecem se enrolar nas vestes de Oxum, estão todas amarelas. É concretamente dia. Volto a dormir.