Quando dei por mim estava só. A panela havia sido largada sobre a mesa com pouca quantidade de óleo dentro. Ainda girava ao redor do seu próprio eixo. Havia sido largada naquele exato momento. O saco milho e o vasilhame de sal estavam do lado da panela. Ainda possuíam um pouco do calor das mãos de quem os abandonara ali. Fugiu. A TV ainda chuviscava. Não colocara o filme pra tocar. Desistiu. Pra onde terá ido? O que terá acontecido? O que deve ser mais importante do que o mais simples e trivial momento que passaríamos juntos dali a alguns instantes? Não sei. Vai entender.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Por gentileza, Fortaleza (Izabel Gurgel)
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Manchas roxas
Meus cadernos
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Beijo-comum
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Não deixa de ser natal
Município brasileiro.
Capital do estado do Rio Grande do Norte.
Nasceu as margens do rio Potengi e do Forte dos Reis Magos.
Situa-se no extremo-nordeste do Brasil.
Região também chamada "esquina do continente".
Está distante a 2.507 quilômetros de Brasília.
É conhecida como a "Cidade do Sol" ou "Noiva do Sol".
Também a chamam de "Capital Espacial do Brasil".
Capital menos violenta do Brasil.
Décima - quarta cidade mais segura do Brasil.
Terceira cidade com melhor qualidade de vida do Norte-Nordeste.
Vigésima - primeira cidade mais populosa do país.
Atualmente a cidade cresce num ritmo alucinante.
Atrai aproximadamente 2 milhões de turistas ao ano.
Dotada de muitas praias e belezas naturais.
Sedia a maior micareta do país, o Carnatal.
A oitava cidade mais visitada por turistas do Brasil.
Cidade mais visitada por portugueses.
Eleita o melhor destino turístico do Brasil em 2007.
Possui o maior número de leitos turísticos do Brasil.
Teve grande importância durante a Segunda Guerra Mundial.
É o trigésimo - sexto maior PIB municipal da nação.
A quarta melhor cidade do Nordeste para se trabalhar.
Capital do Nordeste em que se paga melhor a um trabalhador em um emprego formal.
Possui o quinto maior poder de compra por parte da população no Brasil.
É terra do folclorista Luís da Câmara Cascudo.
Do poeta Ferreira Itajubá.
Possui monumentos históricos como o Teatro Alberto Maranhão.
A Coluna Capitolina Del Pretti.
Além de outras atrações como a Ponte Newton Navarro.
O maior cajueiro do mundo.
O Parque da Cidade.
Praias como Ponta Negra, Genipabu e Pipa.
É a capital brasileira mais próxima do continente europeu.
É... tô indo pra lá tentar as coisas, batalhar... essas coisas que fazem todas as pessoas que querem sair do lugar. Como eu lá tem aos montes, em todo lugar. O carnaval passa, você tem a sensação de que o ano realmente começa e pensa sobre como vai ser. No meu caso isso é mais do que inevitável, é necessário. Mudanças grandes, boas e importantes vem por aí. Hoje conversando com minha mãe soltei: “De domingo agora a oito dias”. É... de domingo agora a oito dias. Já, já. Uma certa angústia. Sou eu e eu agora. Mas também a certeza de que tudo é crescimento. E essa parte é extremamente necessária. Por mais que você tenha todas as certezas e desejos, ninguém sabe o que vem pela frente. É outra cidade, outra situação, outro clima, outras pessoas e isso tudo pode significar uma outra vida, nova, claro. E isso é que é o atraente! O nome da cidade já diz tudo, né? Haverá algum nascimento. Tô indo! Tô chegando! Vamo vê no que dá!
Caminhos abertos!
Tudo vai dar certo!
Fé, força, paz e luz!
Todo mundo do meu lado, ao meu redor, os de carne e osso e os de brisa, todos!
Tô indo assim! Só pode dar certo.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Se eu nascesse de novo
Se eu pudesse nascer de novo eu faria assim: queria nascer em Fortaleza! É! Gosto demais dessa cidade, mesmo com todos os problemas que ela tem e com todos os maltratos que ela sofre. Mas eu queria nascer lá. Fortaleza de Iracema, do Mucuripe, do Benfica e do Parque Araxá. Queria ir direto pra lá, pro Parque Araxá, já da maternidade. Quando isso? Década de 1980, claro. No começo. Deixa eu ver... Podia ser 1983. É. É um ano legal, de mudanças. Desvalorização do Cruzeiro, o que geraria uma reforma na economia posteriormente, primeiros governadores eleitos diretamente após o golpe de 1964 assumindo, sem contar a estreia da Xuxa na Manchete! kkkkkkkkkkkkk São mudanças profundas e radicais na vida de uma pessoa! Queria que fosse lá pelas bandas do começo do ano. É, pra ter pelo menos a sensação de que eu participei de tudo, já que eu já existia. Fevereiro, eu acho! É um bom mês. Na época do carnaval seria maravilhoso, perfeito! O povo dançando, cantando, fazendo barulho, vestido em cores e amores, passando em bloco na rua e minha mãe ouvindo tudo da janela da maternidade. Ah... Carnaval. Queria nascer na época do carnaval, fazer parte dele pra que hoje me sentisse dele também. Ah, a infância? Normal... Divertida, protegida, amparada. Queria estudar no Colégio Deoclécio Ferro, depois na Escolinha Tia Marta, no Educandário Pastor João Vicente de Queiroz, voltar pro Deoclécio, ir pro Manuelito Azevedo e voltar pro Deoclécio mais uma vez. Queria que fosse assim. Queria brincar muito na rua. Bandeira, esconde-esconde, tudo! Organizar festas no bairro, dirigir as peças de teatro das festas... A adolescência cheia de fantasia, de invenção. Organizar festas no colégio. Mais tarde, no fim da adolescência, queria fazer amigos pra vida toda, fazer curso de inglês, por mais que ele não servisse pra nada, começar a aguçar minha criatividade e curiosidade sem saber que isso seria minha motivação profissional, me interessar por comunicação, publicidade, propaganda, tentar inúmeras vezes vestibular pra isso e não passar até que eu descobrisse o teatro mais tarde. Depois eu ia querer entender isso melhor, estudar isso, ver que eu não conseguiria mais fazer outra coisa e ver que a vida tem tudo pela frente ainda. Depois tentar um mestrado em Artes Cênicas, ir pra Natal e esperar no que vai dar. Se eu nascesse de novo queria que fosse assim.
Receita para alívio: Adélia Prado
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Ainda há muito o que fazer...
Hoje estive no Centro de Educação, Arte e Cultura (CEARC) de Guaiuba. A cidade fica na região nordeste do Ceará, a pouco mais de 26 Km de Fortaleza, emancipou-se do município de Pacatuba em 1986 através de um plebiscito durante o governo de Gonzaga Motta e possui pouco mais de 22 mil habitantes. O CEARC, principal equipamento cultural da cidade, compreende um complexo arquitetônico composto pelo teatro Tom Cavalcante, biblioteca (com acervo de mais de 10.000 livros), sala para reuniões, galeria Aldemir Martins, livraria da UFC, loja de artesanato, oficinas de dança e artes plásticas. O centro possui atividades de formação que incluem diretamente mais de 1.600 jovens atendidos por aulas e cursos além dos espectadores das atividades culturais promovidas pelo equipamento.
Minha ida ao referido centro tratava-se da operação técnica de luz do espetáculo "Curtas nº1" do Grupo 3x4 de Teatro que, além da participação dos atores do grupo conta com a presença de Felipe Araújo. O grupo formado por Gyl Giffony, Mikaelly Damasceno, Rafael Barbosa e dirigido por Silvero Pereira foi formado através do encontro dos artistas dentro do Curso Superior de Tecnologia em Artes Cênicas do CEFET/CE, hoje IFCE. O grupo tem uma trajetória de cerca de três anos e vem trilhando um caminho muito interessante de pesquisa e produção teatral através da interação de outras linguagens artísticas com o teatro.
A partir dos dois parágrafos escritos acima podemos pressupor duas coisas: a primeira, que o grupo tem uma preocupação com um projeto de formação em que o teatro seja a premissa básica já que é oriundo de um projeto com essas características. A segunda, que o CEARC também tem a mesma preocupação já que é a principal fonte de entretenimento cultural de uma cidade.
Hoje não ouvimos outra coisa das entidades públicas culturais a não ser o termo "formação de plateia". Mas que plateia é essa? O que se quer dela? O que se quer com ela? Pra que? Que qualidade? Qual a quantidade? Essa última pergunta é a mais interessante para essas entidades. Os números! Quantas pessoas passaram pelo centro cultural, quantas assistiram ao filme, ao espetáculo, quantas entraram na biblioteca... Nunca se pergunta de que maneira essas pessoas assistiram ao espetáculo, o que ela aprendeu na biblioteca. Muito menos se pergunta se o centro cultural oferece meios, formação e informação para que essas pessoas possam ir para lá e realmente irem a um equipamento de cultura e educação e usufruírem disso.
Hoje tivemos uma cena triste e lamentável, mas também geradora de muitas reflexões para nós artistas e para nós plateia que estamos sendo formados por esses centros. O espetáculo, com censura para maiores de 14 anos, começou às 19h30 e foi interrompido ao meio pelo ator e diretor Silvero Pereira. Gritos, algazarra, piadas, gargalhadas, interferências, pré-adolescentes com os pés estirados sobre o palco, crianças assistindo a um espetáculo com censura prévia estabelecida. Tudo isso culpa de quem? Talvez todos que estivessem ali fossem só mais uma vítima de um ciclo que joga pra eles um único tipo de diversão. Mesmo com todo aquele comportamento, talvez sejam só mais uma vítima.
Se em uma cidade com um equipamento desse porte onde se pressupõe haver alguma obra social construída acontece isso, imaginemos o que deve acontecer em cidades que não possuem nada. Não imagino que haja um comportamento mais bárbaro ainda. Não. Não há nem a ideia do que se fazer porque não se sabe o que acontece quando se assiste a algo. Não há a perspectiva do mal comportamento porque não há a possibilidade de ter a oportunidade para isso. Não há informação, que dirá formação. Não podemos culpar nem os artistas nem a plateia por ser do interior, como sugeriu um dos coordenadores da instituição. A culpa é de todos. Principalmente os que aceitam e calam-se.
Ao mesmo tempo que vejo com tristeza o fato acontecido, ele é extremamente necessário. Talvez os integrantes do grupo 3x4 hoje tenham conseguido cumprir sua função de artistas muito mais do que se o espetáculo tivesse sido levado a frente a todo custo. Para a plateia, essa que está sendo formada e que, pelo que vimos, nunca recebeu a mínima informação e formação sobre os mais simples códigos de civilização para cada ambiente, foi muito melhor ter tomado um susto de um grupo que se recusa a continuar o espetáculo por conta do seu comportamento. Com certeza os questionamentos ficaram. É só assim que se faz formação, fazendo pensar.
Ainda há muito o que fazer. Comecemos agora. Um a um. Cada um ajudando como pode, fazendo a sua parte.
As informações sobre a cidade de Guaiuba e o CEARC foram retiradas do site da Prefeitura de Guaiuba: http://www.aprece.org.br/site/?prefeitura=1
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Eu e os meus
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Atualizando...
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Minha mente contraditória
Minha mente só funciona às avessas. Quer ter o ritmo de uma fábrica, uma fábrica alucinante que produz sem parar. Ao mesmo tempo, ela tem um espírito boêmio porque está sempre na tentativa da produção de poesia, de lirismo e de beleza e também porque só trabalha à noite, como todos os boêmios. Essa sua teimosia de contrariar e inverter todas as ordens naturais das coisas me angustia. Quando me deito para dormir quero pensar em tudo, sobre tudo, resolver tudo, escrever tudo e sobre tudo. O sono que estava de mãos dadas com meus olhos como se eles dois fossem duas crianças em um parque de diversões na hora de ir embora, cansados, fadigados, enfadados, resolve, de repente, ir embora, largar as mãos deles e deixá-los livres para brincar em qualquer brinquedo.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
O homem que engarrafava nuvens
