Minha mente só funciona às avessas. Quer ter o ritmo de uma fábrica, uma fábrica alucinante que produz sem parar. Ao mesmo tempo, ela tem um espírito boêmio porque está sempre na tentativa da produção de poesia, de lirismo e de beleza e também porque só trabalha à noite, como todos os boêmios. Essa sua teimosia de contrariar e inverter todas as ordens naturais das coisas me angustia. Quando me deito para dormir quero pensar em tudo, sobre tudo, resolver tudo, escrever tudo e sobre tudo. O sono que estava de mãos dadas com meus olhos como se eles dois fossem duas crianças em um parque de diversões na hora de ir embora, cansados, fadigados, enfadados, resolve, de repente, ir embora, largar as mãos deles e deixá-los livres para brincar em qualquer brinquedo.
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