Eu só quero te reconhecer. Não sei se é muito ou se é pouco. Se é certo ou errado. Se é natural. Suficiente. Não sei. Mas essa é a minha vontade. Vontade... Quem dera que fosse só isso. Essa é a minha necessidade. Tudo me cansou. É cedo pra dizer isso? Talvez. Mas já me sinto cansado, em frangalhos vindo do fronte. Sim. É batalha. E, até então, só perco homens no meu exército. Não posso perder essa guerra. Seria assinar o fracasso da única coisa que pode nos fazer acreditar que o ser humano vale a pena, que tudo não foi em vão. Meus olhos ardem por conta da espera. Cerrar as pálpebras, fechá-los me é, a essa altura do campeonato, muito pesaroso. Sim. Pesa. Não é exagero. É um esforço tremendo. Tudo dói. É medo também. Medo de descansar, deixar o mato crescer, as casas de aranha tomarem conta e perder a tua passagem. Preciso vê-lo. Reconhecê-lo, como falei. Assim terei a oportunidade de não nos fazermos mais anônimos e poderei pedir tua ajuda para fechar-me os olhos. Sim. Preciso da tua ajuda para isso. Se convença disso, por favor e não me ache exagerado, romântico, dramático. É impossível que você tenha vivido até agora tão carregado de si, que, até agora, a tua personalidade não tenha deixado espaço para contaminação com as de outrem. Acredite em mim. Preciso de mais. Tira-me a poeira dos ombros, sopra-me o cansaço e o desânimo, despe-me, deita na cama comigo, conta qualquer causo dessa tua jornada de vinda que, acredite, foi longa, espera que eu adormeça e me faz companhia. Fica do meu lado. Me transfere calor. Só isso. Preciso me alimentar da tua presença. Só isso. Tudo isso. Ao acordar me leva pro mar, senta-me na espuma das águas, me acompanha. Estarei revigorado. Asseguro. Pronto pra seguir uma vida. Mesmo que decidamos que ela termina ali.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
terça-feira, 30 de agosto de 2011
domingo, 28 de agosto de 2011
Crítica e Crônica
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Brasília, 24 de agosto de 2011.
O Planalto Central lá no fundo. A Esplanada dos Ministérios formando um corredor a partir dele. A Catedral no fim desse corredor. À frente dela encenamos "Sua Incelança, Ricardo III" na abertura do Cena Contemporânea Festival Internacional de Teatro de Brasília 2011. Era essa a visão que o público teve ontem.
Brasília nunca me despertou desejos, vontade de conhecê-la, não é uma cidade em que eu viveria, etc., mas sempre me despertou muita curiosidade. É muito intrigante ver esses prédios e imaginar que ali, concretamente, naqueles metros quadrados de chão, coisas estão sendo decididas. Algumas dessas coisas, a maioria delas, vai ser de fundamental importância pra mim, pra sociedade em que vivo. É muito doido ver um prédio com o letreiro dourado "Ministério da Cultura" e imaginar que dentro de algumas salas ali dentro decisões estão sendo tomadas sobre algumas coisas das quais dependo.
Foi com essa vista que o público de Brasília pode assistir nossa primeira apresentação no festival. Trouxemos pra cá a briga entre os York e os Lancaster pela permanência no poder. Trouxemos pra cá essa história sendo contada pelos mambembes, pelos palhaços. Trouxemos pra cá o que pode haver de mais brasileiro. Trouxemos uma essência: Nossa história carnavalizada.
Aqui, ainda mais, "Sua Incelença, Ricardo III" se fez crítica e crônica do nosso povo, da nossa história, da nossa realidade.
Evoé!
sábado, 20 de agosto de 2011
Vamos seguindo.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Conexão Música da Cena
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
domingo, 14 de agosto de 2011
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Gostava de pêlos. Nele, principalmente. Talvez por isso mesmo a natureza tivesse lhe dado poucos. Suas pernas eram bem feitas, bonitas, torneadas. Tinham poucos pêlos e, ainda por cima, eram delicados. Um tecido de veludo leve, mas de veludo. Alguma amiga, certa vez, lhe dissera que tinha “pernas femininas”. Achou estranho. Não chegou nem a se irritar porque achava tudo que vinha do feminino lindo demais, o que houve foi, talvez, um desencantamento. Não sei ao certo. Enfim, todo e qualquer pêlo alocado em seu corpo lhe era caro e motivo de admiração. Certo dia, porém, foi ao barbeiro e o senhor robusto e viril passou a lâmina em suas costas logo abaixo de onde terminava seu cabelo, na nuca. Ele, o macho, foi empolgando com a limpeza que aquele ato foi causando e aumentando a área de alcance da lâmina. Seus pêlos ralos estavam se indo. Quando lhe vissem deitado de bruços iam ter pouco o que admirar, pensou. Mas, ao mesmo tempo se manteve inerte. No exato momento não sabia porque. Talvez deixar as mãos grossas do barbeiro lhe impor uma condição o excitou. Não sei ao certo.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Uma farsa bolero
sábado, 6 de agosto de 2011
Aniversário de Clara Nunes

Choro na voz e na alma.
É. Definitivamente tem dias que só o choro da voz da Dalva resolve. E o pior é que nesses dias, na maioria deles, não há nenhuma melancolia, sofrimento por/de amor, nada. É só a necessidade de algo genuíno. algo tão natural que chega e toca você com tanta profundidade que faz você ser um pouco mais você, mais autêntico, mais genuíno também. É como se a natureza dela resgatasse a sua. Só quem chora com ela é que entende. E não é choro de lágrimas. É de alma. Como o dela. Choremos:
"Hoje eu quero a rosa mais linda que houver. Quero a primeira estrela que vier para enfeitar a noite do meu bem."
"Errei sim, manchei o teu nome, mas, foste tu mesmo o culpado."
"Se o azul do céu escurecer e a alegria na terra fenecer, não importa, querido, viverei do nosso amor. Se tu és o sonho dos dias meus, se os meus beijos sempre forem teus não importa, querido, o amargor das dores desta vida."
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Admirável mesmo mundo ou pequenos silenciosos
Nesses últimos dias uma enxurrada de comentários por parte da classe artística de Natal e de alguns jornalistas encheu caixas de e-mails e tópicos de redes sociais. Os comentários eram acerca da passagem do Ministério de Louvor Diante do Trono (MG), uma banda gospel que esteve aqui dia 16 de julho para a gravação do seu 14º DVD.
Até aí nada demais. Só até aí. Só até a borboleta ir lá e dar sua parcela de pólen. Micarla de Sousa (PV), prefeita de Natal investiu, através da máquina administrativa, a quantia de R$ 250.000,00 (Duzentos e cinquenta mil reais). Isso mesmo. Mais R$ 40.000,00 (Quarenta mil reais) foram entregues pelo governo do estado.
Notem: prefeitura municipal e governo do estado. Instituições laicas (?). Com essa quantia não se calcula o número de benefícios humanos trazidos para uma cidade. Não falo de coisas concretas pra não desmerecer nem diminuir a discussão. Estamos falando de movimentação artística, cultural e de eventos para a população? Pois fiquemos nela. Quantos artistas da terra poderiam "usufruir" desse valor em um festival, mostra, encontro, qualquer coisa. Inúmeros. Mostrando arte e cultura local, por locais e para locais. Assim, a prefeitura agiria em duas frentes sobre a população: beneficiando-a com um evento cultural e gerando cultura e trabalho aos trabalhadores da classe.
O estado não deve ter nenhuma obrigação com nenhuma entidade religiosa. Não deve bancar nenhuma delas. O estado é laico: separado de igrejas e comunidades religiosas e neutro em relação a elas. É claro que, ao mesmo tempo, não podemos excluir parte da população, a evangélica no caso. Estrutura básica e condições para qualquer manifestação democrática e popular devem ser obrigação do poder público, mas sua responsabilidade sobre ela não. Esse foi o erro. Isso foi o que aconteceu aqui.
Mas por que tudo isso? Porque e como essas coisas chegam a nós? Quando elas chegaram? Como e quando começaram? Como essas coisas se revelam, desenvolvem e incrustam na sociedade? Muitas vezes, nós mesmos, e a maioria das pessoas quase sempre, passa despercebido por cima de coisas como essas. O estado brasileiro foi, por muitos anos, um departamento da igreja católica. É absurdamente comum encontrarmos crucifixos e imagens de santos em repartições públicas. É espantosa e monstruosamente execrada toda e qualquer atitude contrária a isso como aconteceu no início do mandato da Presidenta Dilma. O que seria pra ser óbvio é o maior dos pecados!
As coisas em relação a isso estão tão imbricadas e estamos tão acostumados que não conseguimos separá-las mesmo sabendo que a separação, o laicismo, é o óbvio, o comum. Já era. O poder religioso consumiu tudo. Virou cultura. Hábito.
É podre como essas miudezas se instalaram entre nós. Outras inúmeras coisas estão inseridas dessa forma em nossa sociedade. Quais? Os pequenos, silenciosos e, por isso mesmo, mais venenosos preconceitos. Não somos preconceituosos, respeitamos tudo, aceitamos tudo! Até o momento em que uma pequena fagulha queima tudo dentro de nós e a gente deixa escorrer sem perceber. Por quê? Porque sempre esteve ali. É da nossa natureza menosprezar um nordestino, um homossexual, um negro, um pobre, um diferente da maioria. É da nossa natureza.
Um cidadão paulistano xingar o outro de “Nordestino!” durante uma fechada no trânsito, um amigo xingar o outro de “Viado!” durante uma discussão... É por aí. É palavrão! É xingamento! É feio! Cruzar o braço do namorado quando um negro vem andando em sua direção em uma rua escura também. Ah, deputada! Não querer contratar uma babá por ela ser lésbica e achar que, por isso, ela é pedófila, nem se fala. Mal sabe você que esse seu pensamento foi construído, que essa relação homossexualidade x pedofilia se formou dentro da sua cabeça porque, desde pequena, você ouve que um padre aqui ou acolá abusou de um menor de idade. Isso mesmo. Um padre. Um desses da sua igreja.
Caráter é outra coisa. Não é a identidade sexual, a cor, a crença, a condição social ou outros fatores que vão dizer isso. Somos nós mesmos que dizemos. É ele que se diz, se mostra.
Esses venenosos e silenciosos preconceitos? Estamos repletos dele. Nos acostumamos com tudo. Se conseguimos nos acostumar com coisas que matam e ferem o ser humano vítima de preconceito, a bagatela de R$ 290.000,00 (Duzentos e noventa mil reais) para um show evangélico não é nada! É apenas mais um.

