Eu só quero te reconhecer. Não sei se é muito ou se é pouco. Se é certo ou errado. Se é natural. Suficiente. Não sei. Mas essa é a minha vontade. Vontade... Quem dera que fosse só isso. Essa é a minha necessidade. Tudo me cansou. É cedo pra dizer isso? Talvez. Mas já me sinto cansado, em frangalhos vindo do fronte. Sim. É batalha. E, até então, só perco homens no meu exército. Não posso perder essa guerra. Seria assinar o fracasso da única coisa que pode nos fazer acreditar que o ser humano vale a pena, que tudo não foi em vão. Meus olhos ardem por conta da espera. Cerrar as pálpebras, fechá-los me é, a essa altura do campeonato, muito pesaroso. Sim. Pesa. Não é exagero. É um esforço tremendo. Tudo dói. É medo também. Medo de descansar, deixar o mato crescer, as casas de aranha tomarem conta e perder a tua passagem. Preciso vê-lo. Reconhecê-lo, como falei. Assim terei a oportunidade de não nos fazermos mais anônimos e poderei pedir tua ajuda para fechar-me os olhos. Sim. Preciso da tua ajuda para isso. Se convença disso, por favor e não me ache exagerado, romântico, dramático. É impossível que você tenha vivido até agora tão carregado de si, que, até agora, a tua personalidade não tenha deixado espaço para contaminação com as de outrem. Acredite em mim. Preciso de mais. Tira-me a poeira dos ombros, sopra-me o cansaço e o desânimo, despe-me, deita na cama comigo, conta qualquer causo dessa tua jornada de vinda que, acredite, foi longa, espera que eu adormeça e me faz companhia. Fica do meu lado. Me transfere calor. Só isso. Preciso me alimentar da tua presença. Só isso. Tudo isso. Ao acordar me leva pro mar, senta-me na espuma das águas, me acompanha. Estarei revigorado. Asseguro. Pronto pra seguir uma vida. Mesmo que decidamos que ela termina ali.
Nenhum comentário:
Postar um comentário