sexta-feira, 22 de agosto de 2008

E por falar em amor, onde anda você?

O amor é a linguagem universal. Nasceu junto com o homem e ainda se multiplica em sementes, resistindo bravamente às investidas do mal.

Assim como o ar, o amor deveria estar presente em todos os lugares. Sem ele, ninguém consegue respirar. Muito menos, suspirar.

Caligrafia divina, o amor tem escrita fina, escrevendo certo por linhas tortas. Está nas Sagradas Escrituras e nas línguas mortas. Enfrenta os maiores desafios para vencer os obstáculos que o separam da felicidade. O amor é início, meio e fim - mas não tem idade.

Ah, o amor!...

Dizem que na Idade das Trevas, quando o homem ainda vivia na obscuridade, entre as mazelas da guerra e epidemias que varriam o solo europeu, um rei deu tudo de seu. Demonstrou que o amor a seu país e à sua gente era mais importante que a própria vida. Ensinou que o homem depende da honra para atingir seus ideais e foi glorificado pelos poderes de uma espada, no silêncio dos séculos adormecida.

Diante de Sua Majestade curvaram-se doze cavaleiros que juraram eterna lealdade, defendendo o Rei e o Estado. Lendas de aventuras e heroísmo circulavam por todos os povoados, perpetuando a coragem e o estoicismo através de gerações medievais. Feitos de bravura e resignação tornaram-se uma tradição, sinônimos de verdadeiras provas de amor.

Era assim que a vida se construía. Cada degrau da escadaria guardava uma página de magia e um "quê" de bruxaria. E um feitiço impediria que a noite se encontrasse com o dia...

A distância deixada quando o amor se vai, brota uma lágrima no rosto da saudade. Na Índia, a lenda tornou-se realidade. O imperador jamais conseguiu mensurar a intensidade da dor desde o momento em que perdeu a sua amada.
Mandou construir um palácio para traduzir o que sentia: durante vinte anos, noite e dia, vinte mil homens puseram pedra sobre pedra para erguer a morada de quem já não existia.

Hoje, quando o sol se põe, o mármore do palácio ainda muda de cor, escrevendo sobre a terra o que restou de uma fascinante história de amor.

Ah... as histórias de amor! Elas atravessaram os mares e foram escritas em areias de praias brasileiras. Eram histórias-metade, histórias inteiras, que ensinavam o amor à nossa terra, à nossa gente e a todo esse continente chamado Brasil.

Histórias que contavam a mistura de raças e pensamentos, insurreições e movimentos pelo amor à liberdade. Histórias que custaram a vida, engrandeceram a morte, e com muito amor consolidaram a História dessa pátria tão querida.

Ah, meu Brasil! Que bom seria se todos te amassem... te respeitassem e zelassem pelo que é teu!

Que bom seria se cuidássemos da Natureza com mais amor!

Com toda a certeza, é a maior de nossas riquezas e a esperança para o planeta não sufocar com o calor. Devemos lutar pela sua integridade e pelo ar que respiramos.

Em nome do Pai, das Espécies e de todos os Seres Humanos.

Ah, meu Brasil, de sonhos possíveis, de tantos feitos incríveis!

Meu Brasil de ouro, de prata e de bronze; meu Brasil, que é craque nas onze!

Minha província mineral, tão rica no solo quanto em pérolas desse tesouro cultural.

Amor sugere emoção e é capaz de derreter o mais forte dos bravos. Basta tocar o coração. Foi assim que o vento levou... e nos arrebatou com um beijo à meia-luz, num cabaré em Casablanca.
É assim que o amor nos conduz, meio Ghost, do outro lado da vida. Amores sem medida nos olhos do ator, refletido nos lábios da atriz – no escurinho do cinema, chupando drops de anis. Este é o amor com suas emboscadas, arrastando-nos para as ciladas da vida, transformando a platéia apaixonada em manteiga derretida.

Amor é energia. É a força que nos move para encontrar as soluções do dia-a-dia. É fonte de inspiração e plataforma de criação para uma vida mais sadia.

Amor é Física, é Química, é o fenômeno da aproximação: é o mistério que materializa a teoria da imaginação!

Amor envolve com sutileza: nos conselhos da mãe, nas palavras da professora, nos ensinamentos da fé, nas manifestações da Natureza.

O amor não é um privilégio do homem e também desperta "frisson" entre os animais. Nesse festival de paixão, quem ousa mais?

Os relógios anunciam que o tempo não pára e é hora de deixar o amor de lado para produzir. E tome tecnologia! Toda hora, todo dia. Escravo dos ponteiros, o homem vive pendurado nos fones do Ipod. Debruçado no laptop. Enfiado no PC... Será que ninguém mais se curte? Não, agora muitos namoram em salas virtuais e na interface do orkut.

A família já não se conhece, ninguém mais se fala – nem se abala. Na sala de jantar do nosso enredo, a TV de plasma é quem põe à mesa. E quando a gente descobre, o medo e a violência estão no cardápio do horário nobre.

Precisamos evoluir sem perder a essência: o sentimento é soberano. Eis a Ciência que dá sentido à vida do ser humano.

O amor traz saudade e nos acalanta no balanço do bonde que arrastava foliões para o Centro da Cidade. O bonde dos cordões, salão itinerante de um tempo sem maldade.

Lá se vão confetes e serpentinas, o bloco da esquina, o Bafo e o Cacique sacudindo a Avenida. Brincar, cantar, pular não era apenas fantasia. A gente era feliz e não sabia.

Amar também é viver de nostalgia e flutuar na magia de amores efêmeros, como num baile de carnaval. Amores anônimos, mascarados, dissimulados, atrevidos, insuflados por cupidos fantasiados, enternecidos por anjos endiabrados.

"Quanto riso!Oh, quanta alegria!
Mais de mil palhaços no salão.
O Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
No meio da multidão..."

É chegado o momento de fazer uma reflexão para responder à pergunta que vem lá do coração:

E por falar em Amor, onde anda você?

Tomara que nosso reencontro se dê nesta noite gloriosa, antes que a orquestra encerre o baile com a "Cidade Maravilhosa".

É hora de ir embora, preciso cuidar da vida. Falei tanto de amor, que bateu a maior saudade da minha Portela querida.

*Sinopse do samba-enredo "E por falar em amor, onde anda você?" defendido pela Portela em 2009.
Lindo, né? Histórico, justificável, coerente, bom, bonito, poético, rico, cheio de possibilidades, portador de mensagens, de sentimentos, aguçador de emoções, de sentimentos, do maior deles: o amor!
Belo!
Satisfeito, orgulhoso e ansioso.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

é...


estar saciado. estar até a tampa. não cabe mais. não precisa mais. tá tudo muito bem. não há incômodo. não há anseios. por enquanto. está tudo perfeito. está tudo na medida. também está sobrando. está completo. já sem jeito de tanta coisa. já não querendo mais. também não está rejeitando. já satisfeito.


por enquanto.


sempre virão mais coisas.


umas por cima das outras.


umas completando as outras.


porque


o melhor ainda está sempre por vir.


do latim.satisfactiones.

f., acto ou efeito de satisfazer;

alegria;

aprazimento;

contentamento;

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

S-U-P-E-R-L-A-T-I-V-A-M-E-N-T-E falando.









Amaríssimo...esse sim era o adjetivo perfeito para qualificar aquele quadro. Nem a macérrima face em que se personificava a visita dava a um sequer dos presentes naquela sala um míninmo de comportamento cordial. Nobilíssimos, ao passo que pigérrimos. Ninguém, nenhum dos presentes teve o magnificentíssimo ato de abandonar suas sacratíssimas atividades egoístas. O fragílimo presente teve que contentar-se com o frigidíssimo ar que o cercara desde a hora em que pusera os pés ali. Dulcíssimos eram seus pensamentos de como seria a recepção. Engano. Os celebérrimos anfitriões não se atreveram a abrir mão de suas mansuetíssimas bolhas onde regozijavam de um libérrimo ambiente e de um juveníssimo clima. Cada minuto que passava tornava-o menor. Humílimo, mas fidelíssimo a sua tarefa. Por mais péssima que fosse a situação e por mais paupérrimos que fossem os meios para contorná-la, ele acreditava em um futuro próximo prospérrimo. Sapientíssimo. Fidelíssimo aos seus objetivos não imaginou que fosse facílimo o que minutos antes parecia dificílimo. Crudelíssimos foram os minutos anteriores e seus primeiros pensamentos. Agora, situação contornada. Um sorriso. Comuníssimo, mas um sorriso. Mais alguns minutos, deliciosas iguarias provadas e, principalmente, ótimos destilados servidos, tudo arranjou-se. Batuques. Pratinelas. Cuícas. Tamborins. Festa.

sábado, 2 de agosto de 2008

A doçura da barbárie.

Sempre a melhor forma de falar foi a mais branda, a mais bela, a mais calma. É claro que não se deve negar os efeitos de uma boa confusão. Ela funciona também! Acreditem! E em alguns casos, ela funciona. Mas quando algo chega a você pelas vias da brisa é sempre mais proveitoso e prazeroso. Parece que nada está sendo imposto, colocado, processado e, por fim, absorvido. Parece que tudo é feito por vontade própria. A questão aí não é a imposição aos moldes cacetete. Não é verdadeiramente impor, mas impor-se, imprimir algo para que esse algo seja material de análise de quem vê essa impressão. Tudo que é passível de análise é da ordem do mais profundo enriquecimento humano. Tudo que passa pelo crivo da reflexão, do estudo, da comparação, do pensamento, enfim, tudo que mexe com seus valores pra se chegar a outros é da ordem do maior bem que se pode ter. Quando tudo isso acontece com você pelas vias do prazer, o que se pode dizer dessa experiência? Fazer quem quer que seja sentir-se o ser mais potente do mundo porque passou por experiências agradáveis, por boas sensações que o levaram a uma leitura, um questionamemto, uma reflexão, uma análise, uma compreensão, etc. é indescritível. Ser esse "quem quer que seja", mais ainda. Estrelinhas no céu e pressão psicológica entre um empregado e um patrão no chão me levam a isso, cores gritantes em gestos que resumem o que todo ser humano é, um ser frágil, me levam a isso, os gritos musicados de quatro criaturas que trouxeram a barbárie em sua forma mais doce me levam a isso. As experiências vividas com o processo de "O Cantil" foram satisfatórias ao extremo e aconteceram em duas etapas. Primeiro a satisfação interna, pessoal, quando tudo que se via nos fluxos dos nossos pensamentos eram direcionados a um único objetivo. Segundo a resposta, ou melhor, as respostas. Pudemos colocar à disposição de quem estava disposto elementos para o prazer, as boas sensações, o deleite, a satisfação, a reflexão, as conclusões. Inúmeras experiências assim têm acontecido. A mais recente: o espetáculo "Frágil" do Grupo Sobras. Nada demais, à primeira vista, mas algo gostoso de ver. Algo feito pra ver. Delicado, bem cuidado, cheio de coisas a se explorar pelo grupo e pelos espectadores, cheio de coisas exploradas pelo grupo e pelos espectadores, cheio de cores, cheio de branco, cheio...Muito bom se sentir "pressionado" a experimentar das mesmas sensações e reflexões que levaram os atores a criar visualmente fatores e características da fragilidade. E, se não foram as mesmas sensações e/ou as mesmas reflexões, melhor ainda, foram geradas terceiras. Quando eu digo que muitas dessas experiências têm acontecido recentemente, tem mesmo. Acho que essa não tão recentemente se tomarmos o conceito de tempo como o que já está estabelecido. Ela aconteceu em 1976. Mas se tomarmos o conceito de tempo como algo particular, o meu 1976 só está acontecendo agora. Quatro baianos que invadiram a cultura nacional e que, pejorativamente, receberam o apelido de "baihunos" aludindo aos povos bárbaros que invadiam a Grécia, aceitaram o apelido e se denominaram Os Doces Bárbaros. Gritaram cantando. Não teve quem não ouvisse. Não tem quem não ouça. Chegam e docemente dão o recado.

Bem, acho que tenho instigado e tenho sido instigado a perceber as coisas através das suaves brisas que nos cercam, através das estrelinhas, das cores, dos acordes.

Enfim...isso tudo foi só pra dizer que é sempre preciso imprimir, mostrar, provocar, etc. e se tudo isso for feito como brisa, melhor ainda, aliás, isso está na primeira frase do texto: "Sempre a melhor forma de falar foi a mais branda, a mais bela, a mais calma." Podia até ter parado por lá mesmo, né?

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

E tem mais coisa!!!


Umbandangandãns

A partir do texto “Depois do Fim”, de Ricardo Guilherme, o espetáculo UMBANDANGANDÃNS faz uma reflexão sobre os desdobramentos de uma relação amorosa sob o signo da Lebara Maria Padilha. Questões a serem resolvidas são postas nas mãos desta entidade que é responsável por assuntos ligados ao amor. Na peça esse sentimento é abordado na rua, decidido numa configuração urbana onde palco e platéia se misturam. Teatro, dança e vidas fazem parte de uma ocorrência só. Nada é arte. Tudo é desabafo.

Todas as terças de Agosto.
Sempre às 20h.
No teatro Dragão do Mar.
R$ 2.00 e 1.00