Sempre a melhor forma de falar foi a mais branda, a mais bela, a mais calma. É claro que não se deve negar os efeitos de uma boa confusão. Ela funciona também! Acreditem! E em alguns casos, SÓ ela funciona. Mas quando algo chega a você pelas vias da brisa é sempre mais proveitoso e prazeroso. Parece que nada está sendo imposto, colocado, processado e, por fim, absorvido. Parece que tudo é feito por vontade própria. A questão aí não é a imposição aos moldes cacetete. Não é verdadeiramente impor, mas impor-se, imprimir algo para que esse algo seja material de análise de quem vê essa impressão. Tudo que é passível de análise é da ordem do mais profundo enriquecimento humano. Tudo que passa pelo crivo da reflexão, do estudo, da comparação, do pensamento, enfim, tudo que mexe com seus valores pra se chegar a outros é da ordem do maior bem que se pode ter. Quando tudo isso acontece com você pelas vias do prazer, o que se pode dizer dessa experiência? Fazer quem quer que seja sentir-se o ser mais potente do mundo porque passou por experiências agradáveis, por boas sensações que o levaram a uma leitura, um questionamemto, uma reflexão, uma análise, uma compreensão, etc. é indescritível. Ser esse "quem quer que seja", mais ainda. Estrelinhas no céu e pressão psicológica entre um empregado e um patrão no chão me levam a isso, cores gritantes em gestos que resumem o que todo ser humano é, um ser frágil, me levam a isso, os gritos musicados de quatro criaturas que trouxeram a barbárie em sua forma mais doce me levam a isso. As experiências vividas com o processo de "O Cantil" foram satisfatórias ao extremo e aconteceram em duas etapas. Primeiro a satisfação interna, pessoal, quando tudo que se via nos fluxos dos nossos pensamentos eram direcionados a um único objetivo. Segundo a resposta, ou melhor, as respostas. Pudemos colocar à disposição de quem estava disposto elementos para o prazer, as boas sensações, o deleite, a satisfação, a reflexão, as conclusões. Inúmeras experiências assim têm acontecido. A mais recente: o espetáculo "Frágil" do Grupo Sobras. Nada demais, à primeira vista, mas algo gostoso de ver. Algo feito pra ver. Delicado, bem cuidado, cheio de coisas a se explorar pelo grupo e pelos espectadores, cheio de coisas exploradas pelo grupo e pelos espectadores, cheio de cores, cheio de branco, cheio...Muito bom se sentir "pressionado" a experimentar das mesmas sensações e reflexões que levaram os atores a criar visualmente fatores e características da fragilidade. E, se não foram as mesmas sensações e/ou as mesmas reflexões, melhor ainda, foram geradas terceiras. Quando eu digo que muitas dessas experiências têm acontecido recentemente, tem mesmo. Acho que essa não tão recentemente se tomarmos o conceito de tempo como o que já está estabelecido. Ela aconteceu em 1976. Mas se tomarmos o conceito de tempo como algo particular, o meu 1976 só está acontecendo agora. Quatro baianos que invadiram a cultura nacional e que, pejorativamente, receberam o apelido de "baihunos" aludindo aos povos bárbaros que invadiam a Grécia, aceitaram o apelido e se denominaram Os Doces Bárbaros. Gritaram cantando. Não teve quem não ouvisse. Não tem quem não ouça. Chegam e docemente dão o recado.
Bem, acho que tenho instigado e tenho sido instigado a perceber as coisas através das suaves brisas que nos cercam, através das estrelinhas, das cores, dos acordes.
Enfim...isso tudo foi só pra dizer que é sempre preciso imprimir, mostrar, provocar, etc. e se tudo isso for feito como brisa, melhor ainda, aliás, isso está na primeira frase do texto: "Sempre a melhor forma de falar foi a mais branda, a mais bela, a mais calma." Podia até ter parado por lá mesmo, né?
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