terça-feira, 20 de abril de 2010

Sem Título ou Sobre Mim

Sou um louco. Um inútil. Na melhor das hipóteses, um doente. Preciso pensar e me ocupar com inutilidades. Nada de útil me atrai, somente o que é nobre, puro. Isso não é útil. Não uso meu tempo pensando no melhor funcionamento de uma lei, de uma fórmula matemática aplicada, na descoberta da cura de uma doença, mas perco horas pensando a melhor forma de mostrar as diversas faces de um ser imaginário. Mostro tudo. Digo nada. Tudo em mim e os meus interesses, principalmente, estão na área do indizível, do inenarrável, do indescritível. Não sei dizer o que faço, só sei mostrar.

domingo, 11 de abril de 2010

Começo, meio e fim

Em um dos dias dessa semana, de volta pra casa, saindo da Zona Norte de Natal rumo a Nova Parnamirim ao término de uma das aulas de História Mundial do Teatro na Escola Municipal de Teatro, percebi que a avenida que o ônibus percorria seu longo caminho que me levava de volta pra casa estava inteiramente molhada. "Ôba!" Pensei. "Choveu!" Isso amenizaria o calor imenso que fazia há alguns dias. Não. Me enganara. Era somente o asfalto que estava molhado. As casas, as calçadas e as poucas árvores estavam completamente secas. A outra via da avenida, a que me leva pra dar as aulas, também estava completamente seca. Não havia chovido. O que seria então? Percebi que a água corria, lentamente, mas corria. Me dei conta que poderia ser algum esgoto que havia se aberto e deixava correr a água. Era muita água, fiquei curioso pra saber de onde vinha. Percebi posteriormente que as manchas de água no asfalto foram diminuindo, ou seja, iria ver o nascedouro daquilo logo logo. De repente um ônibus ultrapassa o que eu vinha e ficam os dois lado a lado por alguns instantes. Quando o que ultrapassou seguiu seu caminho e o meu ficou pra trás não havia mais água nenhuma no asfalto nem sinal de que alguma gota dela havia passado por ali. O ônibus impediu-me de ver de onde saía aquilo tudo, passou por cima, ficou no lugar. Vi tudo, onde a água foi dar e tudo que ela preencheu, mas não vi como começou. Isso acontece com muitas coisas na minha vida. É desesperador, mas bonito também.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Os elementos

Reviro, reviro e reviro. Não durmo. Deitei aqui há algumas semanas e tinha a impressão que as estantes de livros e o guarda-roupa iam me engolir. Talvez só impressão pelo fato da cama ser baixa demais. Talvez só uma amostra de tudo que vinha: estava prestes a ser engolido. Fui. Engolido. No entanto, tudo tem mudado de perspectiva. Todos os elementos que rodeiam meus mais recentes dias são os mesmos, porém, sob perspectivas diferentes. Um deles é a chuva. Chove agora também e ela me tranquiliza. No dia em que as estantes e o guarda-roupa iam me engolir, não. Chovia e eu me angustiava. Mais uma vez, repito: a angústia já estava ali. Não era só a chuva. Ela foi só o pretexto. Quando fui a Fortaleza para a semana santa também chovia. Mais angústia. Não dormi a viagem inteira. Na volta, enquanto olhava os tons de verde que apareciam na janela, uns riscos se meteram entre eu e eles. Depois pareciam pequenos fogos de artifício em cristais. Era ela, a chuva. Essa maior ainda. Rajadas de vento. Tinha tudo pra ter medo, pra me angustiar, mas ela só lavava. E me tranquilizava. Passo por ela, como tenho passado por tudo. O ônibus dá uma curva, depois outras e consigo ver a zona que atravessamos. Uma nuvem carregadíssima preenche o céu, uma tromba de água pesadíssima cai e um arco-íris se forma. Um sinal novo. Um elemento novo. Novas coisas estão por vir.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Ê, ê...o que é a vida?

Menino...quanta coisa...ainda não consigo escrever sobre nada. É muita coisa pra processar. Enfim, fui, fiquei, adorei, esperei, me decepcionei, chorei, articulei, revi, vi, ri, me espantei, aceitei, fiquei besta, fiquei pasmo, ainda estou pasmo, esperei, esperei, esperei, ensinei, aprendi, escrevi, sofri, fiz sofrer, resolvi, entendi, entenderam, voltei, adorei, achei estranho, recebi, aceitei, entendi, fiquei feliz, revi, vi, abracei, matei, morri, conversei, nem tudo, entendi, entenderam, amei, fui amado, amo, sou amado. Estou! Depois entendo tudo...