Reviro, reviro e reviro. Não durmo. Deitei aqui há algumas semanas e tinha a impressão que as estantes de livros e o guarda-roupa iam me engolir. Talvez só impressão pelo fato da cama ser baixa demais. Talvez só uma amostra de tudo que vinha: estava prestes a ser engolido. Fui. Engolido. No entanto, tudo tem mudado de perspectiva. Todos os elementos que rodeiam meus mais recentes dias são os mesmos, porém, sob perspectivas diferentes. Um deles é a chuva. Chove agora também e ela me tranquiliza. No dia em que as estantes e o guarda-roupa iam me engolir, não. Chovia e eu me angustiava. Mais uma vez, repito: a angústia já estava ali. Não era só a chuva. Ela foi só o pretexto. Quando fui a Fortaleza para a semana santa também chovia. Mais angústia. Não dormi a viagem inteira. Na volta, enquanto olhava os tons de verde que apareciam na janela, uns riscos se meteram entre eu e eles. Depois pareciam pequenos fogos de artifício em cristais. Era ela, a chuva. Essa maior ainda. Rajadas de vento. Tinha tudo pra ter medo, pra me angustiar, mas ela só lavava. E me tranquilizava. Passo por ela, como tenho passado por tudo. O ônibus dá uma curva, depois outras e consigo ver a zona que atravessamos. Uma nuvem carregadíssima preenche o céu, uma tromba de água pesadíssima cai e um arco-íris se forma. Um sinal novo. Um elemento novo. Novas coisas estão por vir.
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