sábado, 31 de maio de 2008

I hear in my mind all this music...

Às vezes é muito bom fugir do padrão. Para alguns, é sempre bom. O "ser diferente" é sempre muito almejado ou se torna objeto de distância. Ser diferente hoje é questão de sobrevivência. Temos impressão de que já vivemos tudo, que já passamos por tudo, principalmente, quando se fala de arte. Aparecer com uma proposta nova não é ser gênio, mas é, simplesmente, chamar atenção pra si. Se não for novo, em uma época onde eu tenho a impressão de que tudo já foi vivido, não olho. Foi assim que me apareceu essa cantora maravilhosa. Fugindo de todos os esteriótipos e padrões, se mostrando uma nova e boa alternativa conheci Regina Spektor. Me apaixonei.

Sobre Regina:Regina Spektor nasceu em Moscou, ainda na extinta União Soviética, numa família de músicos: seu pai, um fotógrafo, era também um violinista amador, e sua mãe era uma professora de música do Universidade de Música Russa. Aprendeu a tocar piano praticando em um "Petrof" que sua mãe havia ganhado de seu avô. A família deixou o país em 1989, quando Regina tinha nove anos, durante o período da Perestroika. Nessa ocasião, Regina teve que deixar seu piano para trás. Sua família se estabeleceu no Bronx, em Nova Iorque, onde Regina se formou na SAR Academy, uma escola yeshiva de médio porte. Ela então, cursou dois anos na Frisch School e outros dois na Fair Lawn High School, onde terminou seus estudos. Regina no começo se interessava apenas por música clássica, mas depois passou a se interessar também por hip hop, rock e punk. Em 2001 lançou seu primeiro CD, "11:11", que foi muito bem recebido pela crítica, apesar de não ter vendido muito. Em 2002 lançou "Songs" e em 2004 lançou seu álbum de maior sucesso, o "Soviet Kitsch". Nesse mesmo ano lançou o "Mary Ann Meets The Gravediggers And Other Short Stories", que traz músicas de seus outros discos e material sobre sua personagem de outras músicas, Mary Ann. Uma das coisas que chama atenção nesse álbum é a lindíssima arte gráfica.

Falar não adianta de nada. Vejam e...

terça-feira, 27 de maio de 2008

É o jeito. Ele está entre nós!

Não precisa ter sido assaltado uma vez, cercado por quatro destruidores e terrivelmente amedrontadores magricelas em cima de suas biciletas, cada um com uma arma em punho, pra viver em situação de medo, em estado de choque. Não precisa ter sofrido uma ameaça de seqüestro ao sair do caixa eletrônico de um banco ou de uma cabine 24 horas onde você acabou de fazer o saque do seu sacrificado salário pra viver em situação de medo, em estado de choque. Não precisa ter visto um ladrão entrar em sua casa e você ter que fingir que dormia, entrando em desespero total, vendo o dito cujo levar todos os pertences de sua residência enquanto você chorava sem exprimir o mínino e remoto som para que o visitante não o percebesse acordado, atingindo assim o maior índice de desespero já contabilizado pra viver em situação de medo, em estado de choque. NÃO PRECISA DE NADA DISSO!!! Pra que soluções tão hollywoodianas fazendo com que o orçamento para a realização da cena "medo" do filme da sua vida vá às alturas??? Pra que tudo isso se você pode passar pelas mesmas sensações só observando tudo que acontece em sua volta??? Tchan ra ran ran!!! Dê um novo sentido à sua vida e evite gastos desnecessários na produção desse filme apenas observando o robótico rapaz que entrega os panfletos da "Ir. Janaína" ou do "Consultório Dentário Raquel Siqueira". Você caminha em uma calçada qualquer no centro da cidade e essa verdadeira legião de espertos, rápidos e insistentes rapazes se estende por toda essa calçada. Um a cada dois metros, ou até menos. Você vai chegando perto deles, eles passam um panfletinho pelo outro, soltam suas "primeira consulta grátis", o medo cresce, você pensa: "Ai meu deus, não quero papel nenhum!". O que fazer? Desviar? Simplesmente não receber? Medo. Medo de chegar perto deles. Medo de receber o papel. Medo de ter que dizer "não!". Eles vão me entupir de papel. Não quero! Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!! Você imediatamente ocupa as duas mãos. Com o que tiver mais próximo, mesmo que seja visivelmente desnecessário, mas ocupa! Põe as duas mãos na bolsa. Leva a bolsa como quem leva a toalha de mão a um rei. Ufa! Passou. Mas quem disse que no corre-corre das grandes cidades medo é uma coisa que dá e passa? Esse tipo de medo mencionado acima, muito menos. Mal passou o primeiro rapaz, além dos 132 mil que você irá encontrar, mas que você já criou um mecanismo de defesa, ou de pelo menos disfarce do medo, você encontra, como se não bastasse vindo em sua direção, aquele seu "conhecido". Puta merda! Tem coisa pior do que encontrar um "conhecido"??? Sabe aquele cara que estudou com você na oitava série, que vocês só se falavam acenando com a cabeça e hoje, 8, 9, 10 anos depois um aceno de cabeça seria totalmente mal-educado e deselegante. Mas cumprimentar e falar como você fala com seu amigão da mesma oitava série quando você o encontra também não dá né? "Ai meu deus, ele tá vindo!", "Ai meu deus o que é que eu faço?", "Ai meu deus como é o nome dele?". Desiste! A mesma arma usada contra o entregador de panfleto há de funcionar! Seja ocupado! Você procura uma chave dentro da bolsa, agacha e desamarra o sapato pra depois amarrar, entra na primeira loja que vê, simplesmente pára diante da vitrine mesmo que ela seja de material de construção ou o pior: aceita um dos panfletos que, com certeza, vai estar à sua disposição no meio metro mais próximo e começa a ler in-te-res-sa-dís-si-mo. Deixa o cara passar. Ele também vai fingir que não te viu. Claro! Ora essa, você achava que esse medo era só seu??? Passou. Ufa! Próximo desafio? O já conhecido e íntimo entregador de panfletos. Calma! Você já tem a arma. Já sabe se livrar. Mas quem disse que o medo é sempre seu? Na cabeça do entregador as questões e, principalmente, o medo: "Será que esse aceita?", "Entrego ou não entrego?", "Tem cara de enjoado.", "Não vou entregar!", "Tá estendendo a mão???", "Vai aceitar???", "Vou estender o meu panfletinho também!", "Ops...ele só queria segurar a bolsa com as duas mãos...questão de segurança...deve ser..."

É...ele vai estar sempre entre nós e, se não há como fugir dele, nos unamos a ele e até escrevamos sobre ele. Até porque ele sempre vai estar entre nós...

sábado, 24 de maio de 2008

Destinatário: Clarice.

(literalmente PARA Clarice)
Pra quem me ensinou a beleza do olhar,
pra quem me ensinou a beleza das flores,
das pedras, das letras, dos papéis, das falas, dos sons.
Pra quem tenta atirar no que vê.
Pra quem mata o que não vê.
Sem, nem sempre, saber.
Pra quem joga verde e colhe maduro.
Muitas vezes sem perceber.
Pra quem não diz que "dessa água não beberei".
Pra quem não bota o carro diante dos bois.
Pra quem não vai com muita sede ao pote.
Pra quem bateu fofo, meteu os pés pelas mãos,
deu murro em ponta de faca,
aprendeu com o que era bom pra tosse.
Pra quem olhou e colheu ventos, tempos e tempestades.
Pra quem chorou sobre o leite derramado,
bateu com a cara na porta,
conversou pra boi dormir.
Pra quem confundiu alhos com bugalhos.
Pra quem teve um dia da caça outro do caçador.
Pra quem sabe que pimenta nos olhos dos outros é refresco.
Pra quem levou o costume de casa à praça.
Pra quem mostrou o que era a praça dentro de casa.
Pra quem não perdeu por esperar,
nem muito menos espera pra perder.
Pra quem preferiu andar só do que mal acompanhada.
Pra quem não tem medo de conhecer uma montanha
pela primeira matinha que aparece.
Pra quem não tem medo de conhecer o gigante pelo dedo do pé.
Pra quem viu cara e não viu coração.
Pra quem não acreditou em cara e acreditou no coração.
Pra quem sabe viver do seu jeito.
Simples, ou melhor, natural.
Natural, fluido e bonito de ver.
Pra quem ensina com esse jeito.
Ensina a gente a pensar no que é certo, no que é errado,
se existe certo ou errado.
Ensina a gente a ensinar.
Pra quem ensina a gente a achar bonito.
A beleza.
Pra quem é a beleza.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Telegráfico.

Sexta-feira. Programar o sábado. Pensar no descanso. Cinema. Teatro. DVD em casa. Dormir. Ligação. Ajuste da sonoplastia. Casa do amigo. Tarde de trabalho. Ainda dá tempo. Pega amiga. Teatro. Atraso. "Ele não permite mais a entrada". Tem outra coisa acontecendo. Não é de graça. Pagar. Esperar. Analisar. Supor. Crer. Concluir. Entrar. Averiguar. Confirmar. Clichê. Mal gosto. Bagunça. Certeza. Paguei. Não ia pagar. Era bom. Ódio. Salvar. Útil. Agradável. Comer. Boa companhia. Sushi. Os Normais. Grupo. Teatro. Risos. Lembranças. Planos. Risos. Carona. Terminal. Sorriso. Fila. Sorriso. Gasolina. Queima. Voltas. Sorriso. Anda. Anda. Anda. Tempo. Passa. Passa. Tempo. Tarde. Não terei meios. Terei. Chego. Quase zero. Um vai. Se um vai, outro volta. Tempo. Passa. Passa. Tempo. Companhias indesejadas. Companhias desejadas. Turma. Posto de gasolina. Carros. Forró. Vodka. Cachaça. Um carro. Mais forró. Bolsa e sapato caramelo. Blusa de malha frouxa. Costas nuas. Folha de prata. "Amigaaaaaaaaaaaa!" Créu. Créu. Créu. Felipão. Vão ver. Vão falar. Poderiam até ver. Poderiam até pensar. Só não podem falar. Companhias indesejadas. Únicas companhias. Tarde. Zero. Carros. Amigos. Tribo. Tchau. Resta um. Não terei mais meios. Resta um confirma. Mais de zero. Tempo. Passa. Passa. Tempo. Ela não liga. Eu ligo. Penso. Ouço. É o jeito. Casa. Troco. Troca. Ninguém tem. apareceu. Braços de Morfeu.
Close torto. Cheio de coisa boa, mas em sua essência, close torto.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Momento informação.

DVD sai em junho!!!
No ano em que lembramos 25 anos de morte da cantora Clara Nunes a gravadora EMI lança um DVD com 21 clips gravados pela cantora para o Fantástico (TV GLOBO) e uma entrevista. Clara Nunes foi uma cantora muito importante para a música brasileira. Não cantou apenas um ritmo ou um estilo, mas cantou uma religião, um povo, uma nação. As cantoras brasileiras tinham duas alternativas para fazer sucesso no início dos anos 70: ou recheavam o repertório de canções românticas ou seguiam os modismos internacionais. A situação mudou quando Clara Nunes, uma das maiores intérpretes que o país já ouviu, apareceu. Grava seu primeiro samba Você passa, eu acho graça em 1969 até que em 1970 conhece o produtor musical Aldezon Alves que investiu na idéia do resgate pela cultura afro-brasileira e da música genuinamente brasileira, o samba. Em 1971 lançou um disco com sambas e outros ritmos genuinamente brasileiros - destacando-se sobretudo a música Ê baiana. Surgia ali um fenômeno musical, uma cantora de voz límpida e emocionada que caiu imediatamente no gosto popular conquistando ao mesmo tempo o reconhecimento da crítica. A carreira só viria a ascender. Em 1974 lança Alvorecer, com seu maior sucesso Conto de Areia e vende mais de 550 mil cópias. Em 1980 chega à marca de mais de 1,5 milhões de cópias vendidas com Brasil Mestiço. Clara foi a primeira mulher em carreira solo a alcançar índices de vendagens maiores do que o de muitos cantores homens. Foi a primeira cantora a quebrar a máxima de que "cantora não vendia discos" abrindo portas para cantoras como Elis Regina, Alcione, Maria Bethânia, Gal Costa, Beth Carvalho, entre outras. Em 1983 morre prematuramente devido complicações em uma cirurgia para retirada de varizes. Desde o começo difícil até turnês internacionais a mineira Clara Nunes levou o Brasil cantando por onde passava. Logo abaixo, o clip da música Coisa da Antiga, gravado para o Fantástico há mais de 30 anos.


terça-feira, 20 de maio de 2008

Na busca por outros olhares

O bom da vida é que ninguém precisa ver as coisas da mesma forma que todo mundo. Melhor que isso é perceber que isso é possível. Tem gente que passa uma vida toda e isso não chega, ou ela não chega nisso. Privilegiados? Talvez. Atentos a tudo que acontece ao redor e sabendo que tudo isso é passível de observação, reflexão e conclusão pessoal? Certamente. Um exemplo disso? Nas linhas abaixo:

Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o Sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar.
Fragmentos de "Poema do Menino Jesus" de Alberto Caeiro.

DENÚNCIA!!!

Tome um banho de água fria! Estimula os órgãos e o sistema nervoso. E deixa você a mil por hora!!!
PROPAGANDA ENGANOSA!!!
p.s. momento desabafo. ufa! passou. é que nem a ouvidoria pública. você liga, fala, fala, fala, fala, desabafa, esvazia, mas não resolve nada. desculpem, mas eu merecie me dar esse luxo.

quinta-feira, 15 de maio de 2008


"O tempo...o tempo e suas águas inflamáveis.

Esse rio largo que não cansa de correr, lento e sinuoso...

'Ai daquele...', dizia o pai, 'que tenta deter com as mãos seus movimentos;

será consumido por suas águas.

Ai daquele, aprendiz de feiticeiro, que abre a camisa para o confronto;

há de sucumbir em suas chamas.'

O tempo e suas mudanças, presente em cada sítio,

em cada palmo, em cada grão,

e presente também com seus instantes

em cada letra dessa minha história passional,

transformando a noite escura do meu retorno numa manhã cheia de luz."

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Cada macaco no seu galho.

Para o docionário:
Paixão: do Lat. passione, sofrimento. s. f. Sentimento excessivo; amor ardente; afeto violento; entusiasmo; cólera; grande mágoa; vício dominador; alucinação; sofrimento intenso e prolongado; parcialidade; o martírio de Cristo ou dos Santos martirizados; parte do Evangelho em que se narra a Paixão de Cristo; colorido, expressão viva, em literatura.

No documentário "Vinícius" há um depoimento da Tônia Carrero que diz que o Vinícius de Moraes nunca fora mulherengo, mas movido à paixão. Necessitava de estar sempre com algo tinindo em folha e aceso dentro do peito, daí a sua necessidade de estar sempre apaixonado, e não amando, de ser sempre alertado por algo muito vibrante dentro de si que não o deixa esquecer a sua atual "vítima". Se essa vibração não ocorresse mais, algo estava errado e...adeus. Não sei se essa foi a explicação mais hipócrita ou a mais bonita para se definir o comportamento do poeta, mas decidi optar pela segunda alternativa. Também não sei se a paixão é tão avassaladora assim como me convenceram, como nos convenceram. Talvez as minhas sejam mais tímidas, mas perenes. É realmente muito bom estar sempre destinando uma atenção mais especial à algo. Um livro, uma música, uma cantora, um bicho de estimação ou até mesmo a uma pessoa. rsrsrsrsrsrs. Poder dedicar alguns precisos minutos objetiva e diretamente a algo deve ser a paixão. Deve ser a minha, pelo menos. Decidi, ou melhor, analisei e cheguei à conclusão que estou, sim sempre apaixonado. E não de forma bem tímida, mas da minha forma. Na minha definição da paixão. Sei também que mais do que estar sempre apaixonado, estou buscando estar sempre apaixonado. Procurando alguma cantora nova, alguma atividade nova, algum livro novo, alguém novo. Estou sempre querendo dedicar minha atenção a algo descoberto com muito prazer.

Para o Joel:
Paixão: palavra. Ato de dedicar sua visão, sua atenção e seu carinho, à sua forma, aos algos.

P.S. Durante muito tempo essa vai ser uma das coisas mais bregas que escrevi na minha vida, mas foi o jeito. rsrsrsrrsrsrsrrss.

domingo, 11 de maio de 2008

...e não ter a vergonha de ser feliz...


Nunca se vive tudo! Por mais que se saiba desfrutar das coisas certas nos momentos certos nunca se vive tudo. Sempre vai ter algo deixado pra trás, feito por incompleto ou feito em demasia. Por incrível que pareça! Mas tem coisas na vida que fazemos em demasia. Fazemos demais que passa da conta e deixa de ser importante, deixa de ser bom ou simplesmente perde a graça. As relações afetivas, coitadas, são sempre as mais prejudicadas nesse quesito. Nunca se vive tudo até mesmo porque nunca se vive uma vida. A vida é feita de etapas. Um todo claro, mas que tem suas etapas muito bem construídas e estruturadas. Tudo muito, e sempre, aristotélico com princípio, meio e fim. Muitas vezes essas etapas, esses blocos vêm com um requinte maior na sua estrutura e podem nos apresentar fábulas, peripécias, reconhecimentos, acontecimentos patéticos, catástrofes, desenlaces, terror, compaixão, catarse, mas nunca deixando de ser aristotélico em sua forma bruta. Sempre com princípio, meio e fim. Nunca se vive esse todo porque se vive os blocos primeiramente. Se vive o começo de um ciclo, seu meio e seu desenvolvimento e, por fim, seu término. Acaba que a vida vivida são os blocos. Como os capítulos de um livro. O capítulo das brincadeiras na rua, o capítulo dos amigos da 8ª série, o capítulo do divertido ensino médio, o capítulo do vestibular, o capítulo das arrebatadoras artes cênicas no CEFET funcionando como um divisor de águas, o capítulo do necessário teatro, o capítulo do grupo de teatro, o capítulo atual: dos sonhos e dos projetos que daqui a pouco vai ser um capítulo passado, como o capítulo da infância, ou melhor, um capítulo vivido, uma etapa, um bloco vivido. Com começo, meio e fim. O capítulo forma o livro, claro. Os blocos formam a vida, claro. Mas não se lê um livro com perfeita compreensão quando saltamos um capítulo. Não se vive uma vida com perfeita compreensão quando se salta ou deixa pela metade um bloco. Não se vive uma vida. Se vive vários blocos. Com começo, meio e fim.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Pane na(S) rede(S).

Um problema da Dona Telemar tirou a vida de algumas pessoas (inclusive e, principalmente, eu) de sua rotina pacata, agradável, constante e codificada. Bum! Uma pane na rede! Linhas cruzadas colocando estranhos na nossa intimidade e nos colocando na intimidade deles. Essa última parte eu achei ótimo. rsrsrsrsrs. "Tire a foto na hora que tiver mijando!" Uma das frases pela qual fui surpreendido. Divertido, não? Ôpa! Sexo virtual bizarro? Não perdi a oportunidade né. "Como é minha senhora?", soltei. "Tem mais alguém na linha doutora", responderam. kkkkkkkkkkkk. Se fosse só isso, tudo bem. Pelo menos diversão na semana de alguém que não tá fazendo nada (ensaios parados, produção no mesmo ritmo, pasmaceira no ar, atípico, mas no ar) era garantida. O problema é que a rede (sempre ela) não tava funcionando. Se isso já é um problemão pra quem olha o orkut e o e-mail pelo menos três vezes por dia imagine pra alguém que olha o orkut e o e-mail três vezes por dia e ainda inventou, recentemente, um blog! Resultado: não ter mesmo o que fazer. Claro que a leitura é a melhor coisa a ser recomendada. Me entreguei a trechos de "O Teatro pós-dramático", de "A Linguagem da encenação teatral" e de "Laços de Família". Um dia inteiro, tempo de sobra e...nada o que se fazer. A outra rede me sugere, convida e não demonstra nenhuma pane aparente. Fui seduzido. Deitei com tanta satisfação que me senti mais nordestino do que de costume. Vieram alguns episódios da última temporada de "Os Normais" e "Perfume". A noite toda. Após isso a rede (até essa, convidativa, sedutora e agradável) começa a esboçar o início de uma pane. Mais um resultado: uma dorzinha nas costas que incomoda qualquer pequenino movimento. Vou indo. Tenho que ir. Não dá pra ficar mais de 20 minutos sentado.

Rola hoje e continua.


Aniversário de Casamento

de Sérgio Abritta

Grupo 3x4 de Teatro


Em “Aniversário de Casamento”, o Grupo 3x4 teatraliza, através de um diálogo com a música e o cinema, os estilhaços de uma história de amor, e também promove a sua recriação. Nesse espetáculo, Ana e Júnior protagonizam a certeza da influência do tempo nas relações e as lembranças de um amor, que, em momento algum, transfiguram-se em espinhos, são sim, para sempre, pétalas de dor...


Direção: Silvero Pereira

Elenco: Gyl Giffony e Jaqueline Peixoto


Todas as sextas de maio (2, 9, 16, 23 e 30/05) às 20 horas no Teatro SESC Emiliano Queiroz (Av. Duque de Caxias, em frente ao DNOCS)Ingressos: R$ 8,00 (inteira)/ R$ 4,00 (meia).

quarta-feira, 7 de maio de 2008

O bom e velho novo.


Ponto de vista é o que há, né? Feio, bonito, bom, ruim, gostoso, passado. Novo. Novo? E o que é novo passa pelo ponto de vista? O que é novo é novo, né? Tá chegando agora. Tá aparecendo agora. Pelo menos aqui. Ops...Então não só passa pelo ponto de vista como passa por várias outras coisas, até mesmo pelos limites geográficos...hehehehehehe. Acho que eu li uma vez num livro do Roubine algo sobre isso e ele dizia uma coisa mais ou menos assim: "É um absurdo que o teatro, se aproveitando da sua característica efêmera, queira vender gato por lebre e mostrar algo considerando-o novo quando isso podia ser visto 50 anos antes." rsrsrsrsrss. Ironia né? Sacanagem, pra falar a verdade. A gente aqui se matando pra descobrir e/ou manter o bom teatro e, de repente, vem um cara e lança a sementinha da desconfiança em nossos cérebros atrapalhados e conflituosos. Na mesma hora aparece: "Ai meu Deus! O que eu tô fazendo é teatro?", "Isso é épico, performance, teatro ou dança?", "Pós-dramático? O que é isso?" ou até mesmo, "Que diabo é isso?" hahahahahaha. Vish...pronto, ele já começa a falar de teatro e o que é pior, das dúvidas sobre ele. Mas aqui é meu espaço não é mesmo? Falo do que eu quero, nesse caso do que preciso. Ninguém sabe até que ponto o novo vai, muito menos em que ponto ele chega. O que vale a pena é a experiência com ele, a experiência nova. Afinal de contas ela é "mais vidente que evidente, criadora que reprodutora". É aí onde está o novo. Mais num âmbito de aprendizagem do que de definições. Definir o novo ninguém vai definir. Experimentá-lo pela primeira vez, como realmente novo, saber coisas dele ou criar coisas a partir dele, a partir da nova experiência, todos podem. Devem. Merecem.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Pra que mesmo, hein?

É. É prassifalá mesmo. Se falar de tudo que quiser, de tudo que souber, de tudo que não souber, de tudo que aprendeu, de tudo que quer aprender, de tudo que não quer viver, de tudo que viveu também, se existir tanta coisa assim, de tudo que experimentou, das vontades, das maldades, das bondades, embora poucas, dos quereres, dos saberes, dos sabores, dos amores, dos horrores, dos corretores, dos lavradores, dos atores, dos autores, dos diretores, se quiser falar dos cenógrafos e sonoplastas também vale, da Natália do Vale (ai...essa foi horrível.) É. Não sei o por quê dessa coisa não, mas acho que chegou a hora de parar de tentar sempre encontrar o por quê das coisas. Ai meu Deus! Isso não pode! De saber os por quês se faz a razão de estar aqui, pelo menos a minha.

Falar, conversar, trocar, tricotar, fofocar, mentir, verdadar, afirmar, negar, propagar, esconder, assumir, reter, espalhar, divulgar. De tudo um pouco aqui.

Mas antes de tudo, um espaço pra mim. Meu! Em que todos são bem-vindos, claro, mas meu!