quinta-feira, 29 de março de 2012

E eis | Clarice Lispector | Por Maria Bethânia

E eis que em breve nos separaremos
E a verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia
E agora sei, eu sou só
Eu e minha liberdade que não sei usar
Mas, eu assumo minha solidão
Sou só, e tenho que viver uma certa glória íntima e silenciosa
Guardo teu nome em segredo
Preciso de segredos para viver
E eis que depois de uma tarde de quem sou eu
E de acordar a uma da madrugada em desespero
Eis que as três horas da madrugada, acordei e me encontrei
Fui ao encontro de mim, calma, alegre, plenitude sem fulminação
Simplesmente eu sou eu, e você é você
É lindo, é vasto, vai durar
Eu não sei muito bem o que eu vou fazer em seguida
Mas, por enquanto, olha pra mim e me ama
Não, tu olhas para ti e te amas
É o que está certo
Eu sou antes, eu sou quase, eu sou nunca
E tudo isso ganhei ao deixar de te amar
Escuta! Eu te deixo ser... Deixa-me ser!

sábado, 24 de março de 2012

Fazendo buracos no chão encontrou terra
Fazendo buracos na parede encontrou o outro lado
Fazendo buracos no corpo encontrou vermelho
Não ousou fazer buracos na alma

domingo, 18 de março de 2012

Maldição

Que destino, ou maldição
Manda em nós, meu coração?
Um do outro assim perdidos,
Somos dois gritos calados,
Dois fados desencontrados,
Dois amantes desunidos.

Por ti sofro e vou morrendo,
Não te encontro, nem te entendo,
A mim odeio sem razão:
Coração... quando te cansas
Das nossas mortas esperanças,
Quando paras, coração?

Nesta luta, esta agonia,
Canto e choro todo dia,
Sou feliz e desgraçada.
Que sina a tua, meu peito,
Que nunca está satisfeito,
Que dás tudo... e não tens nada

Na gelada solidão,
Que tu me dás coração,
Não é vida nem morte:
É lucidez, desatino
De ler no próprio destino
Sem poder mudar-lhe a sorte...

sexta-feira, 9 de março de 2012

Você quer completar, ajudar a construir, entender e no fim, você fez tudo isso. Junto.

quarta-feira, 7 de março de 2012

A repetição e a suspensão do dia-a-dia, do cotidiano.
A subversão da vida. Dona deles

Muito bom!

"Talvez que devam escrever o que quiserem. Que usem o ritmo que quiserem. Que experimentem diversos instrumentos. Que sentem ao piano e destruam as métricas! Que gritem, em vez de cantar. Que soprem um trompete e também um violão. Que odeie a matemática e abrace o caos. A criação é um pássaro sem plano de vôo que jamais voará em linha reta."

Violeta Parra

Genial... Me senti orgulhoso de me identificar com isso. Tenho seguido esses passos sem querer.

Adorando os clips do Alexandre Nero.


Genial! hahhaha Panda ou não, nunca diga não a um urso! hahhaa


terça-feira, 6 de março de 2012

Bilhetinho | Iracema Macedo

Quando eu morrer,
mesmo em tristeza devastada,
morrerei da alegria de terem sido possíveis:
o amor, a tristeza e a aventura de ser carne
em meio a tantas pedras

domingo, 4 de março de 2012

Fui assaltado.
Gritaram pra mim:
-Asas ao alto!
Obedeci.
Saí voando.
Espero os três segundos
Flash e laser sobre mim
Em minha direção
Apareço aos clarões
Sobrevivo aos apagões
Não me deram aos encontrões
Quantas vezes eu sobrei?
Dois, quatro, seis
O corpo se remexe
Não há pares que me amparem
Um, três, cinco
http://www.youtube.com/watch?v=AGtnx_BjycY&feature=related
Hoje só você me
Resta
Falta
Salva

quinta-feira, 1 de março de 2012

-E o que está faltando pra entender?
-Conhecimento e coração, eu acho.
-E como a gente alcança esse tal de conhecimento?
-Eu acho que a gente tem que prestar atenção nos detalhes.

E eu, amarelo, envolto em choques elétricos do recanto, colorindo uma vida.