quarta-feira, 30 de novembro de 2011

No banheiro havia um pote feito em louça para guardar as escovas de dente e o tubo de creme dental. Sempre deixava lá. No pote. As escovas e o tubo. Quando retornava nunca estava lá. No pote. O tubo. Sempre estava sobre a pia. Não entendia porque o último que usara o tubo não o devolvera ao pote. Talvez o outro também não entendesse porque sempre devolver o tubo ao pote. De repente ele é surpreendido pela pergunta:
-Por que o tubo sempre no pote?
Sem precisar usar do expediente do argumento maior, o racional, porque existe um pote para isso, preferiu dizer:
-E porque não no pote?
Achou que a memória da visão é feita do passado. Se você deixa o tubo no pote porque essa é a sua escolha, pra você o tubo está no pote. Repousa lá. Até você voltar e ver que ele não está lá, você terá meios para refazer a história e deixá-lo lá quando sair, deixando-o do jeito que você gosta. Você pode estar se enganando? Maquiando a situação? Criando mecanismos só para sentir-se bem superficialmente? Se alienando? Talvez. Mas quem não está?

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Essa noite eu sonhei com muita coisa
Muita gente
Muitas histórias
Muitos nexos
Muitos desconexos
Muita companhia
Acordei
Nada ficou do sonho
Silente
Sinto urgência em dizer: calo.
Marize Castro
Ai, memória... Esqueço de tudo que tenho que lembrar. Lembro de tudo que preciso esquecer! Isso é uma porra!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ontem recebemos o resultado de dois editais importantes para quem faz cultura neste país: o Procultura e o Myriam Muniz.

O Edital Procultura deveria ter divulgado seu resultado ano passado e os projetos contemplados por ele deveriam ser executados no correr deste ano. Esse lançamento vem sendo protelado durante o ano todo e em agosto lançaram a lista de habilitados para concorrer ao edital. A lista era imensa e já imaginávamos como iria demorar para todos os projetos serem avaliados. Cerca de três semanas atrás o edital Myriam Muniz teve suas inscrições encerradas e começada sua seleção. Ou seja, demoraria um pouco para serem lançados os selecionados.

A lista de selecionados nos dois editais é estranhíssima. Notadamente há uma divisão de projetos por estados e regiões e isso é preocupante.

É tudo muito estranho... Os dois resultados, que seriam, teoricamente, independentes, são lançados no mesmo instante e em suas listas de selecionados notamos essa distribuição.

Quem foi premiado em um não foi premiado no outro. Salvo a única exceção para o Coletivo Alfenin, se não me engano.

Mesmo sendo contemplado em um dos editais e ficando feliz com isso, tudo isso me preocupa. É preocupante um ministério que tem esses parâmetros da democraciazinha barata e burra. Assim, projetos importantes e relevantes para o fazer teatral, para a continuidade de um trabalho, de uma pesquisa, deixam de acontecer em detrimento de uma cota.

Não há critério de qualidade artística no projeto do Ministério da Cultura!!!

Assustador!

sábado, 19 de novembro de 2011

Na praça.
Menina 1: Ah... Só o Senhor pra me ajudar!
Menina 2: O Senhor Deus?
Menina 1: Não. O Senhor Jesus.

Pensamentos fortuitos: Hã?
Na fila do caixa da padaria.
Cliente: Quanto é esse chocolate?
Caixa: Setenta e cinco centavos.
Cliente se assusta.
Cliente: No meu colégio é oitenta centavos. Meu colégio é um absurdo.
Caixa sorri.

Pensamentos fortuitos: Todo colégio é um absurdo.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Observou o amigo e chegou à conclusão que ele era assim: acomodado, sem sonhos, sem ambições, se empenhava em apenas construir um mundinho perfeito ao seu redor sem perguntas, sem complicações, apático. Observou que assim, o amigo evitava alguns problemas. Sentiu inveja.
O amor? Relógio sem ponteiro latindo no quarto escuro de uma casa vazia.
Dalton Trevisan
Extra! Extra! Extra! Deu no Balanço Geral:
"Encontrado o homem mais procurado do RN!"
Pensamentos fortuitos: "Ah... eu pensei que fosse outro..."

sábado, 12 de novembro de 2011

Eu acho que a vida é um abusar dos verbos, das palavras.
Eu acho. Mesmo.
Só não consigo mudar muito a natureza desses verbos, dessas palavras.
São sempre da mesma ordem.
A estrada que eu percorro é de pedra.
Ela é longa e sinuosa.
Ela percorre
(me leva a)
lugares díspares.
É verdade:
as pedras são muito bem colocadas,
tornam a estrada quase plana.
Essas pedras são muito bem polidas
e tem formato de um paralelepípedo perfeito.
As pedras são encaixadas uma do lado da outra organizadamente.
O fato é sempre fato.
Pedra é sempre pedra.
A estrada que eu percorro é de pedra.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Ricardo II (William Shakespeare)
Ato III
Cena II
Jardineiro - Pobre rainha! A praga eu aceitara, se ela curasse a tua sorte amara. Neste ponto umas lágrimas, donosas, ela deixou cair. Não serão rosas que nele vou plantar, senão arruda , plnata da compaixão, da dor aguda, planta amarga da graça. Aqui, asinha, será sempre lembrada uma rainha.
Porque ontem me disseram assim: "lembrei agora de uma flor de plástico. que é mais forte que uma de verdade, mas é seca. dura demais."
Merda de ideia fixa! Quero o mundo dentro de mim. Ocupando tudo. Não deixando brecha pra mais nada!