quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

























Azul e Negro

Ver é delírio.
Como dizê-lo?

O azul é noite
o azul é morte.
Como sabê-lo?

O azul é negro
no seu cabelo.

Ver é delírio.
Bastasse vê-lo
o azul é negro
ardendo aceso
no seu carvão.

Ver
pode ser
azulcinação.

Poesia de Ferreira Gullar e Pintura de Siron Franco.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Ela tá voltando mesmo? Tomara!


Ontem ouvi uma música do Cd novo da Gal Costa que tá circulando pela internet. A música se chama "Neguinho" e é da autoria de Caetano Veloso, assim como todas as músicas do CD de nome "Recanto". Caetano capitaneou o projeto. Chamou a amiga pras conversas e decidiu compor todo um disco para a sua volta. Gal não lançava nenhum trabalho novo desde seu disco "Hoje" (2005). Se não em engano teve um Acústico MTV, mas que não deu em nada, assim como vinha sendo sua cerreira desde o fim dos anos 90 pros 2000.

Digo não dar em nada porque a impressão que tínhamos é de que ela tinha se tornado uma senhora chata cantando música pra tomar chá. Coisas muito cansadas, chatas, vagarosas que não tinham nada a ver com a Gal Fatal, a Gal Divino Maravilhoso, a Gal Psicodélico, a Gal Meu Nome é Gal, a Gal Tropicália, a Gal Doces Bárbaros. Sentia falta.

Ouvi a música, como disse antes, e me surpreendi. A impressão que dá é que ela não está fazendo a mesma coisa do início da carreira nem dos profícuos anos 70 e 80, mas que é uma evolução daquilo para uma cantora experiente e madura. A impressão que dá é de que ela não teve esse vácuo, que ela só continuou no seu estilo e amadureceu. A impressão que dá é de que ela voltou!!!!! Seria uma pena não a termos.

Eu sei que o disco é muito mais Caetano do que Gal, mas acho que há salvação. Torcendo pro disco todo ser assim e que ela continue nos próximos!

Ah, tô doido pra ouvir o disco todo e fazer minhas projeções e ler essa revista. hehehe
"Há um charme qualquer em quem se move pela vida cheio de dúvidas, indecisões, questionamentos e incertezas, mais do que com ambição e vaidade. Os brilhos dos ouros encantam alguns, mas não todos. Há gente que percebe ser o passageiro disso tudo e se distrai olhando o horizonte, cheirando o café ou andando na areia úmida. Perder ou ganhar está mais no olhar do outro do que no nosso próprio. Para mim é um vencedor aquele que chora, vacila, teme, cai e corajosamente admite e novamente ri, avança, supera e levanta. A vida é mais verdadeira neles."

Cynara Menezes em "Elogio ao loser" na Carta Capital.


Tenho uma folha branca
E limpa à minha espera:
Mudo convite
Tenho uma cama branca
E limpa à minha espera:
Mudo convite
Tenho uma vida branca
E limpa à minha espera:

Ana Cristina César