quarta-feira, 30 de novembro de 2011

No banheiro havia um pote feito em louça para guardar as escovas de dente e o tubo de creme dental. Sempre deixava lá. No pote. As escovas e o tubo. Quando retornava nunca estava lá. No pote. O tubo. Sempre estava sobre a pia. Não entendia porque o último que usara o tubo não o devolvera ao pote. Talvez o outro também não entendesse porque sempre devolver o tubo ao pote. De repente ele é surpreendido pela pergunta:
-Por que o tubo sempre no pote?
Sem precisar usar do expediente do argumento maior, o racional, porque existe um pote para isso, preferiu dizer:
-E porque não no pote?
Achou que a memória da visão é feita do passado. Se você deixa o tubo no pote porque essa é a sua escolha, pra você o tubo está no pote. Repousa lá. Até você voltar e ver que ele não está lá, você terá meios para refazer a história e deixá-lo lá quando sair, deixando-o do jeito que você gosta. Você pode estar se enganando? Maquiando a situação? Criando mecanismos só para sentir-se bem superficialmente? Se alienando? Talvez. Mas quem não está?

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