domingo, 18 de março de 2012

Maldição

Que destino, ou maldição
Manda em nós, meu coração?
Um do outro assim perdidos,
Somos dois gritos calados,
Dois fados desencontrados,
Dois amantes desunidos.

Por ti sofro e vou morrendo,
Não te encontro, nem te entendo,
A mim odeio sem razão:
Coração... quando te cansas
Das nossas mortas esperanças,
Quando paras, coração?

Nesta luta, esta agonia,
Canto e choro todo dia,
Sou feliz e desgraçada.
Que sina a tua, meu peito,
Que nunca está satisfeito,
Que dás tudo... e não tens nada

Na gelada solidão,
Que tu me dás coração,
Não é vida nem morte:
É lucidez, desatino
De ler no próprio destino
Sem poder mudar-lhe a sorte...

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