Não precisa ter sido assaltado uma vez, cercado por quatro destruidores e terrivelmente amedrontadores magricelas em cima de suas biciletas, cada um com uma arma em punho, pra viver em situação de medo, em estado de choque. Não precisa ter sofrido uma ameaça de seqüestro ao sair do caixa eletrônico de um banco ou de uma cabine 24 horas onde você acabou de fazer o saque do seu sacrificado salário pra viver em situação de medo, em estado de choque. Não precisa ter visto um ladrão entrar em sua casa e você ter que fingir que dormia, entrando em desespero total, vendo o dito cujo levar todos os pertences de sua residência enquanto você chorava sem exprimir o mínino e remoto som para que o visitante não o percebesse acordado, atingindo assim o maior índice de desespero já contabilizado pra viver em situação de medo, em estado de choque. NÃO PRECISA DE NADA DISSO!!! Pra que soluções tão hollywoodianas fazendo com que o orçamento para a realização da cena "medo" do filme da sua vida vá às alturas??? Pra que tudo isso se você pode passar pelas mesmas sensações só observando tudo que acontece em sua volta??? Tchan ra ran ran!!! Dê um novo sentido à sua vida e evite gastos desnecessários na produção desse filme apenas observando o robótico rapaz que entrega os panfletos da "Ir. Janaína" ou do "Consultório Dentário Raquel Siqueira". Você caminha em uma calçada qualquer no centro da cidade e essa verdadeira legião de espertos, rápidos e insistentes rapazes se estende por toda essa calçada. Um a cada dois metros, ou até menos. Você vai chegando perto deles, eles passam um panfletinho pelo outro, soltam suas "primeira consulta grátis", o medo cresce, você pensa: "Ai meu deus, não quero papel nenhum!". O que fazer? Desviar? Simplesmente não receber? Medo. Medo de chegar perto deles. Medo de receber o papel. Medo de ter que dizer "não!". Eles vão me entupir de papel. Não quero! Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!! Você imediatamente ocupa as duas mãos. Com o que tiver mais próximo, mesmo que seja visivelmente desnecessário, mas ocupa! Põe as duas mãos na bolsa. Leva a bolsa como quem leva a toalha de mão a um rei. Ufa! Passou. Mas quem disse que no corre-corre das grandes cidades medo é uma coisa que dá e passa? Esse tipo de medo mencionado acima, muito menos. Mal passou o primeiro rapaz, além dos 132 mil que você irá encontrar, mas que você já criou um mecanismo de defesa, ou de pelo menos disfarce do medo, você encontra, como se não bastasse vindo em sua direção, aquele seu "conhecido". Puta merda! Tem coisa pior do que encontrar um "conhecido"??? Sabe aquele cara que estudou com você na oitava série, que vocês só se falavam acenando com a cabeça e hoje, 8, 9, 10 anos depois um aceno de cabeça seria totalmente mal-educado e deselegante. Mas cumprimentar e falar como você fala com seu amigão da mesma oitava série quando você o encontra também não dá né? "Ai meu deus, ele tá vindo!", "Ai meu deus o que é que eu faço?", "Ai meu deus como é o nome dele?". Desiste! A mesma arma usada contra o entregador de panfleto há de funcionar! Seja ocupado! Você procura uma chave dentro da bolsa, agacha e desamarra o sapato pra depois amarrar, entra na primeira loja que vê, simplesmente pára diante da vitrine mesmo que ela seja de material de construção ou o pior: aceita um dos panfletos que, com certeza, vai estar à sua disposição no meio metro mais próximo e começa a ler in-te-res-sa-dís-si-mo. Deixa o cara passar. Ele também vai fingir que não te viu. Claro! Ora essa, você achava que esse medo era só seu??? Passou. Ufa! Próximo desafio? O já conhecido e íntimo entregador de panfletos. Calma! Você já tem a arma. Já sabe se livrar. Mas quem disse que o medo é sempre seu? Na cabeça do entregador as questões e, principalmente, o medo: "Será que esse aceita?", "Entrego ou não entrego?", "Tem cara de enjoado.", "Não vou entregar!", "Tá estendendo a mão???", "Vai aceitar???", "Vou estender o meu panfletinho também!", "Ops...ele só queria segurar a bolsa com as duas mãos...questão de segurança...deve ser..."
É...ele vai estar sempre entre nós e, se não há como fugir dele, nos unamos a ele e até escrevamos sobre ele. Até porque ele sempre vai estar entre nós...
9 comentários:
HAhahahahahahahaha!
A-dorei!
Mas eu intitularia:
Diário de um sociopata neurótico.
=P
E eu sou um sociopata neutrótico, Levy??? Que história é essa??? Só falo o que todo mundo sente, tenho certeza! hahahhahahah
Oi joel!!nossa gostei muito do seu blog....eua doro blogs..de onde vc é?bjinho
quartodabetina.blogspot.com
Oi. Sou de Fortaleza-CE.
Abç.
Oi!É verdade,não há quem não tenha vivido pelo menos uma das situações que você descreveu.O "conhecido" com quem, inevitavelmente, cruzamos algum dia e, como buscamos, desesperadamente, uma forma de evitá-lo é um exemplo perfeito e vivido por mim.Gostei muito também do poema que você dedicou a Clarice.Já me aventurei pelos versos, mas eles não me vêm mais com facilidade...talvez fossem medíocres demais e, como li uma vez em algo de Mário Quintana, " esvoaçassem lugares-comuns".rsrs
Por falar nele Quintana e em poemas li dele também...
"Há certas coisas que não haveria mesmo ocasião de as colocarmos sensatamente numa conversa- e que só num poema estão no seu lugar.Deve ser por esse motivo que alguns de nós começamos, um dia, a fzar versos.Um modo muito curioso de falar sozinho, como se vê, mas o único modo de certas coisas caírem no ouvido certo."
Um poema dado, um beijo roubado, um por-de-sol contemplado, um banho de chuva tomado, um amor encontrado, um amigo conquistado, tudo assim bem rimado, queria pra mim...rsrsrs(viu só o nível do poema!rs)
Mas de coração, vc faz um poema pra mim?rsrs
É...tenho descoberto a beleza da poesia em outras coisas...não só na poesia. Acho que tenho descoberto a beleza das coisas, tentado escrever sobre elas e...se são poesia o que escrevo sobre elsa, não sei, mas estão aí. Escrever uma poesia pra você? Posso tentar. Falar do que não se conhece pode ser difícil, mas é, no mínino, o primero passo pra investigação, pra descoberta, pro conhecimento. Fico te devendo essa. Mas chega já.
Pôxa Joel, perfeita a descrição de quando a gente encontra alguém "conhecido" da 8 série...tu sabe que a Marcela corre pra falar enquanto eu corro pro lado contrário, nunca dá certo quando a gente tá perto...
Sempre hilário!
Bjo!
Ow Jesus...isso é bem "Marcela" msm...
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