Tive a oportunidade de assistir a uma palestra da pesquisadora cubana radicada no México Ileana Diéguez em um dos encontros do Próximo Ato (Itaú Cultural) e nunca esqueci seu olhar lúcido, coerente e esclarecedor sobre o teatro latino-americano.
Segue uma pequena entrevista com ela. Maravilhosa. Destaco:
"A investigação de linguagem tem a ver com as perguntas dos criadores sobre como falar, habitar e dar vida a situações que não sejam ilustração da realidade imediata, mas também tenham a ver com a busca ou o reconhecimento de outro tipo de espectador, como o faz La Candelaria desde os anos 70. A realidade também desafia a criação, e há que se estar com o olhar atento para não perder a possibilidade do real também nos transformar – e não somente como se tem dito tantas vezes, que a arte que transforma o real."
"(...) não desejo pensar o teatro latino-americano como uma sequela de influências europeias ou de paradigmas, venham de onde vierem. Se algo tem me interessado faz várias décadas é reconhecer que, de maneira geral – ainda que não seja algo que possa aplicar-se a todos os países – a cena que se faz neste continente tem o pulso da vida, que seus criadores não são heróis que recitam textos grandiloquentes, e sim, seres humanos frágeis e capazes de por em cena suas próprias dores e medos, seus próprios egos, inclusive. Se algo se destaca da cena latino-americana, pelo menos a que eu conheço e por qual tem sentido pensá-la, está em diálogo com seu tempo e que por ela podemos entender quem somos e como temos vivido."
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