
Nada nasce do nada. Uma coisa sempre leva a outra. Uma paixão sempre leva a outra, ou melhor, à milhares de outras. Mas tudo parte de si, de dentro, da vontade de saber quem é você, quem habita você, de se conhecer, de saber de onde você veio, de conhecer a sua raiz. Não dá pra se conhecer a raiz de um brasileiro. Pelo menos não dá pra diagnosticar com facilidade. Sabe aqueles códigos com letras emaranhadas que aparecem quando você coloca um recado no orkut com algum link ou em alguma operação na internet que exija segurança? Tem de vários tipos, né? Sabe aqueles mais difícies de ler. Os impossíveis de identificar na primeirea olhada? Pronto! Esse desenhinho é a raiz de um brasileiro. Indecifrável. Indecifrável porque contém tudo de tudo. De tudo um pouco. Denotando uma das coisas mais ricas do mundo. Haviam uns índios habitando um pedaço de terra ali, chegaram uns europeus e se misturaram com eles e pra piorar o negócio vieram uns africanos. Como se não bastasse o pedaço de terra é tão grande que a cada légua e meia existe uma diferença brutal, mas que, na verdade, revela a mesma essência. Essa essência, essa igualdade, essa singularidade pode ser percebida em algumas coisas. Uma delas? A música. Uma música genuinamente brasileira pode ser considerada uma música formada por elementos genuinatemtes brasilerios. Mas elementos genuinamente brasileiros são formados por milhares de coisas espalhadas pelo mundo. Essa é a nossa música. Formada essencialmente pelas raízes africanas, mas cheia de elementos do asfalto, do morro, das conversas da calçada, das paqueras, da poseia, da beleza, da alegria, da festa. O samba! Ah o samba...não há brasileiro, por mais erudito que seja, que o resista até porque "a minoria diz que não gosta, mas gosta e sofre muito quando vê alguém sambar, faz força, se domina e finge não estar tomadinha pelo samba doida pra sambar". É isso que nos identifica e nos mostra, a todos, sem exceção, quem somos, de onde viemos, do que somos. Veio "Pelo telefone", veio Estácio de Sá, vieram Paulo da Portela e a nossa Portela, veio Noel Rosa, vieram João Gilberto e Tom Jobim, vieram Cartola, Nelson Cavaquinho, Zé Keti, Adoniran Barbosa e Clementina de Jesus, vieram Martinho da Vila, Bezerra da Silva, Paulinho da Viola, D. Ivone Lara, Alcione, Demônios da Garoa e Clara Nunes, veio Monarco, vieram Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Fundo de Quintal, Os Caras de Pau, Jorge Aragão e Jovelina Pérola Negra, tá vindo gente nova, tá vindo Teresa Cristina, Arlindo Cruz, Mariana Aydar, Roberta Sá, Diogo Nogueira e Nilze Carvalho. Tem gente o tempo todo avisando que se porcurar e, melhor ainda, se achar é a coisa mais fácil do mundo, basta se ouvir...ouvir um samba...
Quem acha vive se perdendo
Por isso agora eu vou me defendendo
Da dor tão cruel desta saudade
Que, por infelicidade,
Meu pobre peito invade
Batuque é um privilégio
Ninguém aprende samba no colégio
Sambar é chorar de alegria
É sorrir de nostalgia
Dentro da melodia
Por isso agora lá na Penha
Vou mandar minha morena
Pra cantar com satisfação
E com harmonia
Esta triste melodia
Que é meu samba em feito de oração
O samba na realidade não vem do morro
Nem lá da cidade
E quem suportar uma paixão
Sentirá que o samba então
Nasce do coração.
Salve o samba!!!
Obs. Uma pequena declaração de amor ao que, cada um de nós, por mais diferentes que sejamos, tem de mais igual.
2 comentários:
Salve!
e o que é essa foto?! maravilhosa...
Pois é meu filho...Inspiração não faltou msm...Samba é samba, né? É majestade...Foto linda, né? Seria meio difícil uma roda de samba (ainda mais uma como essa aí) ter uma foto feia...
Salve!
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