
Segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Mais um dos depoimentos apaixonados.
Entre 17h30 e 18h. Segunda-feira. O começo, embora seja o segundo. A reverência aos deuses determinando sua origem em outras línguas. Estamos em um avião da GOL indo para Porto Alegre com o espetáculo "Sua Incelença, Ricardo III" depois de uma semana especial no Rio de Janeiro.
Como já falei aqui, participamos do Projeto de Ocupação de Espaço Público do Tempo Festival 2011 no Morro do Adeus no Complexo do Alemão. Tudo foi muito especial e transformador.
O avião levanta vôo e me mostra um Rio de Janeiro lindo porque resiginificado. Uma ilhota no meio da água. Casas, habitação, embora isolados. A ponte Rio-Niterói liga um povo ao outro, promove encontros de gentes da mesma raça e matéria. As nuvens, finas e cortantes como camadas de gelo afiadas, rasgam o céu e o transformam, o modificam.
Estivemos em um lugar onde "os ares já estão mudados". Habitando, encontrando, transformando, modificando, sendo transformado, sendo modificado.
Os três dias de contato com jovens da comunidade em uma oficina foram fortalecedores para nosso ofício e nosso viver. Conhecer o típico "cara-gente-boa" Léo, morador da comunidade das Grotas, uma das mais perigosas do Complexo antes da ocupação, fazedor de teatro, inteiramente disponível ao teatro, não teve preço. Amar o sorriso de Ruth, integrante do coral do Casarão da Cultura, era delicioso. Ser acolhido pela prestatividade de Luciano, agitador cultural da comunidade, era confortante. Se divertir com o jeito galado-come-quieto de Jonas era muito gostoso. Saber que poderíamos contar com a total disponibilidade de Jéssica e Diogo era extremamente satisfatório. No fim dessa primeira parte ver Stefany, uma jovem tímida que chegou a partir do segundo dia com os olhos brilhando por conta da vontade de fazer a oficina, mas receosa se poderia ou não por ter perdido o primeiro dia, dizendo que a palavra que resumia a oficina para ela era "família" não teve preço e pagou por tudo.
No fim de semana subimos o Morro do Adeus para brincar com quem quisesse aparecer. E brincamos! Muito! É muito bom colocar o teatro na roda dos outros e deixar os donos da roda completamente à vontade com o carnaval, com a brincadeira. "Vem pra cá! Tá ótimo!" grita a senhora no meio da arquibancada em plena apresentação. Sem contar que era linda demais aquela vista, o pôr-do-dol no fundo, depois as luzes da cidade...
Nos emocionamos também. Muito! Muito especial ver a cidade inteira lá embaixo como quem quer e precisa subir pra estar junto da gente na festa, no carnaval, no compartilhamento, na troca de material humano que é o acontecimento teatral. O caminho se fez inverso. Subimos. Subiram.
Fernando Yamamoto falou: Aos amigos do Rio, que larguem seus preconceitos pequeno-burgueses de lado e venham não só nos assistir neste cenário maravilhoso, como também conhecer mais de perto a realidade do Alemão, que apesar de ter violência (como em todo lugar), tem também pessoas maravilhosas e um público muito caloroso!
João Braune completou: O Rio nunca mudará enquanto as pessoas ficarem em casa vendo TV no sofá. Quem foi ontem ao espetáculo do Clowns no Alemão teve a oportunidade de fazer um passeio maravilhoso com direito a vista cinematográfica e um espetáculo imperdível ao por do sol! Vamos lá mulambada, o Alemão é logo ali! A distância é muito mais psicológica do que geográfica!
Mona Magalhães confirmou: Queridos Clowns de Shakespeare, parabéns pelo "Sua Incelença Ricardo III". Lindo trabalho. Obrigada por terem me levado ao morro do Adeus e presenciar vários belos espetáculos: o passeio de teleférico, a vista do Rio de Janeiro, o por do sol e claro, o belo trabalho de vocês!!!! Beijos e abraços gerais!!!!
É por aí: reavaliar, tentar e concretizar, certificar. É assim que damos sentido à vida. Ela precisa de um.
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