quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A coceira no olho era irritante. Levei a mão até ele para aliviá-la com os dedos. De raspão vejo um riscado na palma da minha mão. Era um ponto de interrogação. Grosso. Cheio. A mão para no meio do caminho. Esfrego. Não sai. No teclado do computador não existe mais o ponto de interrogação. Onde ele teria ido? Penso enquanto esfrego. Procuro enquanto esfrego. Não sai. Vou até a pia da área de serviços. Lavo. Não sai. Sabão. Não sai. Álcool. Não sai. Uma escova cai nos meus pés. Para pegá-la me abaixo. A cabeça bate na torneira. Uma dor fina e insuportável. Não dá pra esfregar a cabeça. A mão está cheia de sabão. O olho coça, cabeça dói e a interrogação não sai.

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