quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Fico me merguntando pra que serve isso aqui. Sempre que escrevo parece que tenho milhares de pessoas lendo, acompanhando, etc. Pensei em começar esse post assim: "Andei afastado do blog..." Pra quem seria essa satisfação a dar, cara pálida? Mas é bom fantasiar. Deve servir pra alguma coisa. É o meu lote, não é mesmo?

Então:

Andei afastado do blog... hahahha É... Estive muito tempo sem vir aqui. A cabeça não parou de funcionar. Pelo contrário. Várias coisas apareceram e inúmeras delas poderiam estar aqui, mas perderam-se. Estive consumido. O teatro. Foi angustiante, mas agora tudo é leve. E ele me faz voltar aqui. Acho que com isso dá pra entender.

Bem... Um viva a uma das cabeças mais lúcidas desse país!

Segue:

http://g1.globo.com/globo-news/starte/videos/t/todos-os-videos/v/fernanda-montenegro-fala-sobre-sua-carreira-no-teatro-e-na-tv/1524099/



"Confundem teatro com liberdades, até com licenciosidades, com realização de sua opção sexual, com glórias, paetês, retrato no jornal, riqueza... Porque aí já entra a televisão. No meu tempo não tinha televisão. Então, hoje em dia, a deformação já é os famosos celebrities e a coisa é pegar o eletrônico que vai cuidar dele, vai polir ele, se não for bom repete a cena, se não for bom faz outra vez ou corta, põe uma música no fundo, põe uma lágrima e vai preparando como se fosse um autômato que depois pode resultar muito bem porque ele se apropria daquela técnica, vai fazendo e vai virando o chamado ator ou artista. Todo mundo virou artista hoje em dia. Porque todo mundo pode ser artista hoje em dia, agora ator não é todo mundo que pode ser. Essa visão onírica, solta, louca não sabe o que é isso aqui. Então saia. Saia da frente. Não ocupe espaço pra depois... Vai ser bancário, doutor, diplomata, gari, enfim. Agora se morrer porque não está fazendo isso, se adoecer, se ficar em tal desassossego que não tenha nem como dormir, aí volte, aí venha aqui. Mas se não passar por esse distanciamento, pela necessidade dessas tábuas aqui, não é do ramo. Não é do ramo. (...) Eu sou muito agradecida, na verdade, ao teatro. Porque tudo que eu tenho na vida vem do teatro. Tudo: minha família, o homem que eu tive na minha vida, que entendeu, um homem corajoso, ter uma mulher do lado fazendo sucesso como eu como eu fiz na vida e o meu homem me ajudando, me apoiando, desenvolvendo o processo pra eu ir junto com ele... O teatro me obrigou a estudar além do código convencional, o teatro me sensibilizou por outras zonas. Então eu nunca esperei ter esse reconhecimento - eu não vou fazer isso de charme - eu tenho sim, não vou ser imbecil de fingir aqui que não tenho reconhecimento. Tenho. Mas quando eu comecei lá, eu achava que eu queria fazer o meu ofício porque eu venho de uma família de gente que trabalhou a vida inteira e vivendo do seu salário, uma família de assalariados, eu venho de uma família de assalariados, que tem ofício. Sempre puseram na minha cabeça que única maneira de você ser um ser livre é você ter o seu ofício, ganhar dinheiro com seu ofício, não depender de ninguém seja muito ou pouco o que você ganhe."

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