Que teu povo te respeite, te ame, te preserve, te faça realmente bela.
Residência
O corpo de minha cidade
é um naco de terra à beira-amar.
Nele, as ondas quebram
o tempo por entre as pedras.
As dunas empinadas apontam-no
para o céu de minha boca.
Traz sobre as ancas
um sol selvagem tatuado.
Um riacho corre até à foz
de seu sexo salitroso.
Pássaros marinhos migram
de seus olhos para as mãos.
Esquinas e gestos logo irrompem
sobre a praça de seu ventre.
Pelas ruas diariamente atravesso
o mapa de seu sangue.
Amar esta mulher é habitá-la.
Adriano Espínola

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