quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Íntimos estranhos


Ainda não se conheciam, mas pareciam que sentiam falta um do outro. Deve ser porque se completavam, sem mesmo saber um da existência do outro. Se conheceram e perceberam isso. Um conhecimento não tão apropriado, usual, de costume. Parecia que ainda haviam territórios desconhecidos, mas ao mesmo tempo se davam a oportunidade de não pensar muito um sobre o outro, de não perguntar muito um sobre o outro porque não sentiam essa necessidade, não precisavam porque era como se fossem velhos conhecidos. Parece que tudo que havia pra se dizer e conhecer já havia sido dito e conhecido. Não eram as tais almas gêmeas, até porque ambos já haviam se convencido de que isso é muita poesia pra vida real. Ambos acreditavam nas mesmas coisas, como o caso da alma gêmea, por exemplo, como se tivessem passado pelos mesmos lugares, convivido com as mesmas coisas, frequentado as mesmas escolas, aprendido as mesmas lições e formulado o mesmo caráter. Não se conheciam integralmente ainda. Nem fisicamente, vejam só. Mas já haviam se apaixonado, declarado amor eterno um ao outro, discutido, brigado, vertido lágrimas, reatado, passado dias juntos, tempos separados sem notícias, tudo isso sem se conhecerem ainda. Eram seres intimamente estranhos ou estranhamente íntimos, como preferir. Eles preferiam se defirnir como "reconhecíveis". É, desses que você sabe que existe, sabe que ele é parte de você, não o conhece ainda, mas quando o conhecer irão se reconhecer rapida e simultaneamente e, a partir daí, o único trabalho é constatar as coisas.

6 comentários:

Francisco disse...

eu conheço esta historia .... e a minha ...e de alguém muito especial que reencontrei... e voltei a perder .... beijos Catarina

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Francisco disse...

arrependiemnto do que se amou .... pensou e escreveu ...sou sempre eu .... !

Unknown disse...

A vida toda eu hei-de esquecer-me de ti

Francisco disse...

Amar não é um estado de penitência.....!

Francisco disse...

Sábios das palavras.... Iletrados da vida...!