
Amarelo é a cor das mesas,
Dos bancos, dos cabos das peixeiras,
Da enxada e da estrovenga.
Do carro de boi, das cangas,
Dos chapéus envelhecidos,
Da charque.
Amarelo das doenças,
Das remelas dos olhos dos meninos,
Das feridas purulentas, dos escarros,
Das verminoses,
Das hepatites,
Dos dentes apodrecidos.
Amarelo do papel
Que embrulha a viagem
Amarelo, amarelo.
Amarelo como o canário do antigo império.
Amarelo, amarelo.
Amarelo do cabo da enxada
Vivendo no chão
Já cansado e antigo
De cara rachada
Do sorriso encardido
No rosto do povo
Fudido e sofrido
Com a carapaça cansada.
Amarelo, amarelo
Amarelo, amarelo da Oxun.
Tempo amarelo, tempo amarelo.
Amarelo que todos os dias
Fazem da poeira
O calo do tempo, em vão.
Amarelo do fosfato
Que aduba a cana de açúcar no chão
Que até a cegueira enxerga
De longe ou de perto
No claro ou na escuridão.
Amarelo, amarelo.
Amarelo de Oxun.
Amarelo...
Nação Zumbi
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