segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009


Amarelo é a cor das mesas,

Dos bancos, dos cabos das peixeiras,

Da enxada e da estrovenga.

Do carro de boi, das cangas,

Dos chapéus envelhecidos,

Da charque.

Amarelo das doenças,

Das remelas dos olhos dos meninos,

Das feridas purulentas, dos escarros,

Das verminoses,

Das hepatites,

Dos dentes apodrecidos.

Amarelo do papel

Que embrulha a viagem

Amarelo, amarelo.

Amarelo como o canário do antigo império.

Amarelo, amarelo.

Amarelo do cabo da enxada

Vivendo no chão

Já cansado e antigo

De cara rachada

Do sorriso encardido

No rosto do povo

Fudido e sofrido

Com a carapaça cansada.

Amarelo, amarelo

Amarelo, amarelo da Oxun.

Tempo amarelo, tempo amarelo.

Amarelo que todos os dias

Fazem da poeira

O calo do tempo, em vão.

Amarelo do fosfato

Que aduba a cana de açúcar no chão

Que até a cegueira enxerga

De longe ou de perto

No claro ou na escuridão.

Amarelo, amarelo.

Amarelo de Oxun.

Amarelo...


Nação Zumbi

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