sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

As pessoas sinestésicas

Tem gente que mesmo sem ser a pessoa mais especial da sua vida acaba se tornando muito importante, muito querida (no sentido mais real e puro dessa palavra) porque mesmo não fazendo parte do seu passado te remetem imediatamente a ele. É como se essas pessoas fossem tão agradáveis quanto as lembranças que te levam instantaneamente a uma sensação boa de antigamente. Elas são a presença boa, a companhia agradável, aquele conforto que a gente só sente com as lembranças sinestésicas como a chegadinha, o dindin de côco com nescau, o chiclete de tutti-fruti, a tapioca com manteiga, o cheiro de alfazema, o baião-de-dois quentinho, o carioquinha das 4 da tarde, o esconde-esconde com asfalto molhado, o suor da amiga que tá virando mocinha, a tarde no colégio, a tinta guache, a cola colorida, a massa de modelar, a caixa de linhas e agulhas, o papel de presente, o confete juntado do chão, o bolo confeitado, o refrigerante de uva, a sacolinha de bombom da lembrancinha do aniversário, a pipoca, a propaganda de TV da época da infância, a pasta colecionadora, o papel de carta, a coleção de chaveiro, o álbum de figurinha, o porta-retrato, os olhos vermelhos das fotografias, o geladinho das gotas grossas e pesadas do hidratante caindo nas costas depois de um dia de praia, o creme de cabelo, o álbum grande com as folhas que grudam as fotos cobertas por um plástico, a caneta de 12 cores, o estojo de latinha, o papel estêncil, o tecido de farda de colégio, o banho de chuva só ao redor do quarteirão...

Um comentário:

Fabiana Melo disse...

Joel! Genial... Fiz uma viagem ao passado lendo esse texto. Ai, como amei.