Parece que as coisas belas estão cada vez mais raras, mais difíceis de se ver, se sentir, se ter. Não sei se nós é que estamos cada vez mais distantes do belo ou é culpa do belo mesmo. Colocar sempre a culpa em si tem virado moda. É uma outra alternativa para se tornar o "gênio". Não vou seguir a moda e colocar a culpa em mim. A culpa é do belo. Ele é que tem se distanciado. Não podemos mais escrever as cortantes e lindas cartas de amor que eram entregues às escondidas se ninguém precisa mais esconder nada a ninguém e sendo assim, o suspense da paixão proibida que corroia de frio o ventre dos apaixonados e alimentava as lindas coisas escritas foi-se... Ninguém precisa nem escrever nada a ninguém. Ninguém se escreve mais. Ninguém se dá o direito de perder horas pensando na tal pessoa pra escrever algo depois. Não conseguimos mais ver beleza em tudo se tudo já é tão mostrado, ou melhor, escancarado na cara do freguês. Nada nos dá espaço para que nossas leves imaginações sejam levadas com a brisa tentando, assim como ela, entrar nos locais impossíveis aos homens e assim, nos entregarmos horas às suposições, às formações das projeções sobre o que é o misterioso, o indizível, o oculto tendo, assim, material suficiente para criar imensas e poéticas histórias de amor. Não resta mais ao ser humano um punhado de espaço para ser romântico, lírico, poético, belo. A situação vai ficando cada vez mais difícil. Ah inveja dos grandes tempos de romantismo. Ê vida boa Pessoa... Você que foi sortudo e viveu no tempo mais fértil da paixão. Hoje só nos resta ser um pobre, mortal e simples ser humano.
2 comentários:
Esse tempo do óbvio e do "na cara" é um saco, mesmo. Prefiro o romantismo, o mistério. Obrigada por entender, Joelzinho. Você é ímpar!
Oi Joel(leia com pronúcia em inglês, adoooro) adorei teu blog...botei nos meus favoritos.
Saudade.
Bjos
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